Quiseram me enterrar. Mal sabiam eles que eu era semente. // Aviso: As postagens estão em datas aleatórias, por enquanto (por motivos de: TCC e umas surpresas que estão vindo aí). Em breve, como já foi avisado, voltaremos para os respiros de, no máximo, 3 dias. Obrigada por continuar sem quases.
Autor da frase: Desconhecido

O QUE ASSISTIR NOS CINEMAS EM SETEMBRO DE 2017


Voltaremos a ter, em cada mês, as informações e as análises prévias dos títulos que vão para as telonas? Sem falta. Setembro veio carregando variados pesos reflexivos em tramas. Muitas críticas sociais e políticas estão marcando presença em formas metafóricas, enquanto não ficam de fora as cinebiografias e as obras que abrangem temáticas sobre processos criativos e artísticos, de maneira a formularem entrelinhas para diversas lições poéticas, com alegorias para inúmeros âmbitos. São longas para conferir nas salas de cinema ou para deixar naquela lista de pendências e caçar depois, afinal, outros filmes, mais antigos, também são indicados no decorrer dos destrinchares. Confira abaixo as análises das reflexões que podem ser esperadas a partir dos pilares de múltiplos dos títulos.

  • Esta é a Sua Morte (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido por Giancarlo Esposito / Roteirizado por Noah Pink e Kenny Yakkel)

A trama, que traz críticas em uma obra feita com base metafórica, apresenta Adam Rogers (Josh Duhamel), que é um apresentador de TV com um novo e ousado programa, onde as pessoas são pagas para se matarem ao vivo. Tal iniciativa macabra gera muitos protestos mas também faz bastante sucesso, graças ao fascínio do público em acompanhar a degradação de outras pessoas. O suicídio, que é um assunto delicado, mas que precisa de maior atenção e debate, infelizmente tem crescido no país. Porém, o longa, que chega também para pautar a importância de discussão, utiliza da questão, que fica como mais um ponto de alerta, como metáfora para as mortes não literais (e literais) que ocorrem no cotidiano. Mortes de outros que são sempre nossas, ainda que tratadas como formas de entretenimento e/ou como pautas banais.

O enredo remete a algumas discussões, também trazidas metaforicamente pelo filme Jogos Vorazes, porém, o filme promete outras questões em entrelinhas e formas diferenciadas de abordagem e reflexão. Padrões sociais a serem quebrados, estereótipos a serem desconstruídos, desigualdade social em ascensão e outros pontos são somente alguns dos que, em formas poéticas e agonizantes, ficam como juras para maiores aprofundamentos do título.

Os acontecimentos que deveriam ser os mais chocantes, absurdos e discutidos, tornam-se os mais tratados como triviais e desimportantes; como se a realidade fosse 'isso mesmo', de forma a ser "impossível mudar agora". Deixam de lado que "Se for possível, está feito. Se for impossível, vamos fazê-lo" (Marechal Alexandre Gomes) e que "Sem saber que era impossível, foi lá e fez" (Jean Cocteau). Há uma inversão catastrófica, na qual uma cultura desrespeitosa, sem equidade, é tratada como algo a ser respeitado (sem diálogos, sem discussões) e, ainda, uma notícia de entretenimento ganha um baque maior do que diversos assassinatos e/ou lutas perante desigualdades. Deixando de olhar uns para os outros com respeito (pondo-se no lugar daquele outro ser), deixamos também de olhar os detalhes mais grandiosos da vida, esquecendo que o mais fundo está na superfície, estamos vivendo em uma escuridão em que, em meio ao bombardeamento de informações e a péssima seleção, em geral, do que alastrar, ninguém nota que um pássaro raro passou bem ao lado ou que a lua estava brilhante ao extremo naquela noite.

A crítica do Esta é a Sua Morte surge, portanto, como um debate metafórico diante da disparidade do que hoje é visto como comum e, consequentemente, ignorado, enquanto deveria ser eternamente espantoso, porque só assim passaríamos a ir modificando a "realidade" e lembrando que ela é maleável e feita por atos aglomerados e levados adiante. O problema todo está em confundir realidade com "algo normal", "que tem que ser assim", só porque já é. Quando algo se torna real, a ponto de virar comum, costuma virar banal, e a indústria não-jornalística passa a ser chocante, enquanto fatos espantosos são apenas rotineiros.

As analogias formuladas no longa, portanto, ficam para quesitos como as mortes causadas no programa, que representam, justamente, tal inversão de espantos, tal abatimento de atos para a modificação do que ocorre. Além desses quesitos, o filme traz análise do universo do entretenimento, o qual nos leva a pensar em formas de 'ditaduras de pão e circo'. O filme remete, ainda, a lembretes que podem ser encaixados para quaisquer formas de relacionamentos, e não somente os sociais, como destrinchado no texto A porta para a rua parece a entrada da minha casa, no qual desembaraço: "Aqui, a maldade do mundo me pareceu normal.(...) É neste momento, quando passamos a achar trivial aquilo que consideramos incorreto, que está na hora de ir.(...) Estou batendo a porta e deixando alguns recados na geladeira, alguns tênis para você colocar nos pés e, algumas mochilas para que, quiçá, utilize para plantios. Vou levar aquele jarro belíssimo que deixou no canto da varanda. Afinal, sempre existem desses em todas as casas destroçadas. Mas eles só são esperança e motivo para ficar, quando o mal ainda é ruim, quando migalhas não são aplaudidas, quando quem dá o que não quer receber, ainda é desmerecedor. Quando o que é básico, não vira sinônimo de muito; quando o que seria morada, não vira sinônimo de estranheza. Quando o adeus não vira sinônimo de poder voltar – para casa".

  • Pendular (Estreia: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Júlia Murat, escrito também por Matias Mariani)

Em Pendular, um jovem casal se instala em um galpão industrial abandonado. Uma faixa laranja, colada ao chão, divide a área em duas porções iguais: à direita, o ateliê de escultura dele; à esquerda, o estúdio de dança dela. A trama acontece neste cenário, onde arte, performances e intimidade se misturam; e onde os personagens perdem lentamente sua capacidade de distinguir entre seus projetos artísticos, seu passado e sua relação afetiva.

"Não existe peito aberto com mente fechada. Não existe mente aberta sem limites combinados" (Vanessa Brunt). O filme discute a noção de que liberdade não existe sem delimitações acordadas, sem diálogo, propostas e 'contratos' a serem sempre repostos na mesa, aprofundados. A lição, que é discutida a partir do relacionamento indicado, traz linhas literais representando os limites, o equilíbrio das prioridades (que devem mudar o que fica nos topos dependendo dos contextos e momentos) e meios de autoconhecimento. Além disso, a noção do que é soma em um laço entre seres humanos, é também posta em pauta. Sonhar o sonho do outro, sem deixar de criticar e buscar ideias que possam impulsionar o objetivo alheio, é um dos pontos de análise.

A narrativa se divide em capítulos que sugerem a lenta degradação do casal, trazendo as possibilidades de relacionamento a partir das entrelinhas poéticas. Arte e amor vão sendo desenvolvidos e conectados, colocando em questão, ainda, o que é, de fato, arte: a verdade e a necessidade de expressão e desabafo de tal honestidade corroída por dentro, que leva a reflexões enquanto vai sendo transformada em vômito (arte). Os conflitos da dançarina, por exemplo, se transmitem nos ensaios, e o escultor passa a modificar seu trabalho em função da crise afetiva.

Em meio a desenlaces sobre a relação, ambos os personagens vão construindo debates sobre criatividade, olhar poético (que é enxergar metáforas, entrelinhas e lições diferenciadas em todos os pontos) e, principalmente, sobre a intensidade que remete ao: "Transbordo em tudo. Fico onde couber" (Vanessa Brunt) e "Quem não se importa em ter metade, já desistiu do inteiro. Quem não se importa em dar metades, nunca visou o inteiro. Quem demora o retorno para o ponto de desespero, já perdeu do outro qualquer paz e deixou o outro com-ciência(como digo em Quem não se importa em ter metade, já desistiu do inteiro).

  • Polícia Federal - A Lei é Para Todos (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Marcelo Antunez / Roteirizado por Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros)

2013. Durante a realização da Operação Bidone, a Polícia Federal apreende, no interior, um caminhão carregado de palmito, que trazia escondido 697 kg de cocaína. A investigação recai na equipe montada por Ivan Romano (Antonio Calloni), seadida em Curitiba e composta também por Beatriz (Flávia Alessandra), Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). As conexões do tráfico os levam ao doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) e, posteriormente, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), que revela uma imensa estrutura envolvendo construtoras e o governo, de forma a desviar dinheiro público. À medida que a investigação avança, o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais de alguns dos políticos mais influentes do país.

O longa, que tem como proposta mostrar pinceladas dos bastidores da Operação Lava Jato, tem recebido críticas sobre as questões partidárias na qual está envolvido. Ainda não conferi a trama, porém, deixo a minha visão, de que a realidade abordada deve ficar acima de quaisquer teores relacionados a preferências políticas. Se um partido ou quaisquer seres cometeram injustiças, alinharam falta de caráter e declínios a mais, independente de quaisquer outros pontos, é o que deve ser colocado no topo da lista. Não tenho uma preferência partidária e vejo as noções de "direita" e "esquerda" cada vez mais embaralhadas na atualidade, com novos pontos de pauta e análises, de forma a levar análises e acordos, da minha posição, para quesitos de ambas as partes. Mas o fato é que a questão não deveria ser focada nessas linhas, mas sim no objetivo do respeito e da verdade.

A frase: "Se você é neutro em situações de injustiça, você está escolhendo o lado do opressor" (Autor Desconhecido) cai como ideal na situação. Não é que outros tópicos não devam ser discutidos, como é o caso da necessidade de tantos dos quesitos voltados para a noção de equidade, que ainda tem fragilidades em leis e afins. Trata-se da união prioritária para investigar e combater o que for errôneo acima dos outros debates.

Existe uma cena, que é uma das minhas favoritas, em uma série que, em breve, estarei indicando aqui. Nela, o personagem faz um questionamento semelhante a: "Se um homem trai a esposa, mas salva milhares de vida em uma guerra por ser honesto sobre algo que descobriu durante a batalha: ele tem um caráter bom ou ruim?". A terapeuta, que é para quem a pergunta é direcionada, coloca a questão da integridade na mesa. Ser íntegro, é ter os mesmos pilares e caráter independente do âmbito. O homem que traiu a esposa, apesar de ter sido honesto na guerra e enxergar isso como algo muito maior, pode destruir diversas vidas com o grau de desonestidade cometido na relação (dependendo dos seus atos, da verdade contada, das escolhas e consequências a mais); não existe anulação.

"O bom pode até ser feito sem ter muita noção do que fez, no entanto, sempre saberá o mínimo que seria feito para anular a sua benignidade. Por conseguinte, a falta de respeito é exatamente o que sabe que não deveria ser feito. É por isso que um erro costuma ser uma morte, uma quebra, um vidro espatifado. E um acerto, em casos de ser o básico ou em comparativos com erros, é só mais um acerto. O reconhecimento mesmo, vem no meio, quando o erro quer nos beijar, deixa na cara ou nas linhas escondidas que ali poderia ser cometido, e sem delongas, pelo simples, pelo bom, pelo que não precisa ser pedido para saber que é o certo, ele é esquivado.(...) Lealdade é responder todas as perguntas, mesmo as mais gratuitas. Não há pergunta ruim, e sim resposta medrosa" (Não é o que parece; Vanessa Brunt).

  • Columbus (Lançamento: 14 de setembro / Dirigido e roteirizado por Kogonada)

"Existe uma rachadura em tudo, é assim que a luz entra" (Leonard Cohen).

Na cidade americana que batiza o filme vivem Casey (Haley Lu Richardson) e a mãe dela. O sonho da moça é se formar em arquitetura, mas ela abdica disso para cuidar da mãe, ex-viciada em metanfetamina. Numa palestra sobre arquitetura, Casey conhece Jin (John Cho), filho de renomado arquiteto sul-coreano que tem um mal súbito durante o evento. A angústia de ter os pais doentes e paixões profissionais, une os dois jovens. O medo do futuro que está por vir e as ligações entre o passado de Casey e Jin acabam interligando as lições das suas respectivas vidas.

 As análises das arquiteturas demonstradas na trama, aparentam trazer traços metafóricos para o filme, no qual os pontos arquitetônicos apresentam as sensações e críticas sociais feitas por Casey, que formula diálogos profundos e discute as obras arquitetônicas do finlandês Eliel Saarinen (1873-1950) e de seu filho Eero (1910-1961), ambos ligados à cidade.

A utilização de espelhos, água e outros objetos e elementos, prometem trazer também metáforas imagéticas, que acompanham as reflexões dos personagens. Os pontos das vidas abdicados de ambos, trazem lições sobre prioridades e, principalmente, deixam a jura das abordagens sobre organização, disciplina e outras mensagens emitidas em Poder Além da Vida. No entanto, a sutileza de detalhes poéticos é o que faz das críticas e lições ainda mais intensas.

Nas linhas mais diretivas estão temáticas como a separação, na qual, a ideia de que o fim precisa demorar para ser fim, está destrinchada. O desvincular de um laço, afinal, precisa analisar para ser fim. Precisar permear o fim para ser fim. Precisa mais do tempo sendo fim, do que do fim para ser fim. O fim de um relacionamento não é fim porque acabou. É fim porque continuou acabando enquanto continuava, enquanto andava pelo fim sem saber se poderia ser recomeço. Fora a isso, os outros tipos de fim, não são finais. São desculpas para chamar a atenção, para conversar o que não teve coragem, ou para mostrar que, quiçá, nunca teve sequer começo, seja por pesos formulados de um lado, ou do outro: culposo por demonstrar que nunca houve lealdade.

Temas como vínculo familiar são utilizados não somente para as reflexões basilares trazidas, mas para a representação de quaisquer fatores que sirvam como obstáculos para outras prioridades, mas que são também prioritários. O equilíbrio entre prioridades, que fazem balança entre relacionamento e autoconhecimento, é encaixado em assuntos como realização profissional, que pode ainda ser visto como representativo de sonhos diversos. Outro ponto a ser observado, porém mais conectado em entrelinhas e metáforas, é a personificação da própria cidade, que pode ser vista como um outro personagem na vida dos protagonistas e/ou como alguém que o próprio telespectador venha a lembrar (encaixando como comparativo na própria vida: de quem está assistindo), fazendo comparativo a diversas formas de relacionamentos, incluindo os abusivos ou outros formatos. Afinal, o sentido aparece para quem busca o dê-pois; a rachadura só serve para fazer luz entrar, para quem olhar pela greta mais afundo.

  • De Volta Pra Casa (Lançamento: 28 de setembro / Dirigido e roteirizado por Hallie Meyers-Shyer)

Depois de uma separação dolorosa, Alice Kinney (Reese Witherspoon) decide começar uma nova vida com as duas filhas em Los Angeles, a sua cidade natal. Tudo parece estar entrando nos eixos, até ela conhecer Teddy, Zoey e Harry, três aspirantes a cineastas que precisam de um lugar para morar. Alice permite que os rapazes permaneçam em seu quarto de hóspede temporariamente, mas o acordo gera situações bastante inesperadas e laços fortes vão se formulando. Enquanto a cabeça da protagonista está confusa e entregue a novas emoções, o inesperado acontece: Austen, o ex-marido arrependido, bate-lhe à porta, decidido a reconquistá-la.

De Volta Pra Casa deixa a promessa de permear reflexões sobre família e amizade como aspectos prioritários, os quais ganham proximidade com os pontos de lições obtidos no filme Estão Todos Bem. O pai que não é presente, e que acredita que marcar corpo e atenção nas urgências é a principal forma de demonstrar amor, é um dos exemplos que trazem os fundamentos reflexivos. Afinal, como já destrinchei na análise do outro filme indicado aqui no parágrafo: nada supre o conforto da intimidade, e não é só o tempo que a constrói, é a permanência. Asa sem existência de casulo, pesa. E sempre há algo de urgente ocorrendo, todos os dias, em todas as vidas, ainda que venha mascarado com simplicidade e sensação de não necessidade de um compartilhamento fervoroso. Quem não vai até o pote, nunca poderá ver o cisco que impregnou nele, e se a atenção for dada somente quando ele estiver quebrado no chão, grudá-lo, ainda assim, pode não ser forma de limpar o cisco de lá.

Desconstruções sobre o tópico da maturidade também são agregadas, comprovando que ela depende muito mais do olhar de quem viveu e da busca que comprova que é quando a vida dá uns nós que cruzam os porquês, do que da experiência em si, ainda que a tal não seja excluída como fator de importância. O ponto em questão ainda traz a comprovação do quanto a sensibilidade e a imaginação são teores de maior relevância do que as sabedorias históricas. O quesito é abordado a partir da relação que os três garotos passam a construir com os filhos de Alice e a família em geral, trazendo críticas que abrangem o conceito de família, quebrando a noção encaixotada e padronizada que a sociedade, em geral, ainda recobra. De tal forma, reflexões sobre feminismo e sobre diversas das lutas por respeito, ficam enlaçadas nas entrelinhas da trama. Além disso, o enredo ainda aborda o relacionamento a dois entre pessoas de faixas etárias diferenciadas, trazendo o assunto como mais um ponto que está enlaçado na noção de sentimento, respeito e caráter acima de preconceitos.

A protagonista parece ratificar a frase "Os fracos se vingam. Os fortes se protegem" (Augusto Cury), já que não deixa de lembrar que maturidade é não desistir de sentir, porém, apesar de ir até as últimas gotas nas histórias, lembrando ainda que os mais vivos são os afogados, Alice corta casos que mostram que estão indo para uma terceira chance. Questões assim são fincadas no relacionamento com o ex-marido da personagem, que não deixa de enxergar os ganhos das perdas, e acaba deixando a jura de ser inspiradora justamente por tal fator, além do ponto de caçar autoconhecimento e força a partir de tal "lema".

Apesar dos possíveis pontos clichês, portanto, o filme, que é da mesma roteirista do longa O Amor Não Tira Férias, promete trazer, de forma leve, porém com pesos nas entrelinhas, reflexões que elevam amor-próprio, ratificando o quanto ele não existe com profundidade perante quem não sabe lembrar de ser entrega e crescer a partir dos riscos de sentir e construir nós.

  • Exodus: De Onde Eu Vim Não Existe Mais (Lançamento: 28 de setembro / Dirigido por Hank Levine)

Acompanhando as jornadas de seis refugiados, Napuli, Tarcha, Bruno, Dana, Nizar e Lahtow, o documentário Exodus, que conta com narração de Wagner Moura, é uma observação sobre o estado do mundo frente à crise dos refugiados que se espalhou por todo o planeta, visto que cada vez mais pessoas deixam seus lares para fugirem de motivos diversos como guerras e epidemias, buscando um porto seguro para recomeçar suas vidas.

Com linguagem poética e filosófica, a partir de um olhar observador e repletos de sinestesias em longos planos, a obra humaniza a questão da imigração  e traz crítica sobre como a atuação de diversos países em relação ao tema tem sido economicista, xenófoba e excludente.

É possível enxergar o projeto de forma ainda mais poética ao visualizar os personagens propostos como representativos não somente dos refugiados, mas de todos os excluídos socialmente de alguma maneira; encaixando desde as crianças e adolescentes que sofrem por padrões sociais e estereótipos, até os marginalizados por situações financeiras e outros meios preconceituosos, que causam bloqueios para a entrada e ascensão de novos talentos e vozes na sociedade. Entra também, como possibilidade de analogia, a crítica para a indústria cultural da atualidade, cada vez mais mercantilista e sem equilíbrios de espaços mais justos para artista sem condições econômicas prévias e/ou um grande público que garanta vendas de forma anterior ao produto final. 

O documentário busca garantir essa inicialização de vozes, para que os protagonistas possam contar as suas experiências, seus pensamentos e sentimentos. O projeto filma homens e mulheres, jovens e idosos, das mais distintas religiões e etnias, para traçar um mosaico global da exclusão. Os entrevistados fornecem informações sobre as falhas no sistema de asilo internacional, as dificuldades de inserção cultural, o descaso dos governos locais, entre outros pontos críticos. Ao mesmo tempo, imaginam soluções distintas e, algumas, que remetem a demais críticas, como o machismo ainda impregnado mundialmente e outras formas de julgamentos marcados por preconceitos estereotipados.

Algumas críticas afirmam que o projeto constitui uma boa reportagem de sensibilização ao tema, mas que serve apenas como espécie de olhar introdutório para se buscar, em outros materiais, mais informações sobre a questão dos refugiados. Seja da forma que for, quaisquer produtos deixam brechas para maiores aprofundamentos e visões que enxerguem além, o que depende dos encaixes alheios e das disseminações propostas pelos telespectadores para maiores criticidades. O ponto de peso é que as visões ponderadas pelos humanos em questão, prometem utilizar o tema para ir além dele, e para utilizá-lo como representação de tamanhas e demais questões.

  • A Garota do Armário (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Marc Fitoussi)

A Garota do Armário nos apresenta a uma jovem de quatorze anos de idade, que tem que experimentar trabalhar por uma semana como parte de um projeto escolar. Por isso, sua mãe arranja um estágio para a menina na companhia de seguros, onde trabalha como executiva júnior. Porém, enquanto reorganiza um armário de armazenamento, a jovem descobre alguns segredos desagradáveis que a empresa mantém escondido e que podem envolver sua mãe.

A trama traz críticas mais literais ao sistemas burocráticos, que ganham fortes conexões com quesitos brasileiros. Além do ponto, o título ainda aborda injustiças que ocorrem por ganância e pelos sistemas empresariais de diversos países, os quais negligenciam situações e suportes às outras vidas, por conexões de interesses financeiros e afins. Dentro dessas questões, é que a protagonista desenvolve pesquisas e resolve mudar o destino de um dos casos que acompanhou como ignorado, afinal, "Band-aids não curam buracos de balas" (Taylor Swift).

Nos quesitos mais poéticos, a trama deixa a promessa de trazer lições fundamentais sobre amizade. O ponto fica visível em abordagens como a que agrega o fato de que a comprovação de um laço é feita na entrega e permanência, mesmo que em fases de vida diferentes. As reflexões ainda são formuladas a partir da reação da filha perante o que considera errôneo nos atos da mãe: indagando, dialogando e fazendo, por si, o que considera correto. Não é possível saber, sem antes assistir, se a garota avisa para a mãe sobre os atos que cometerá e, caso os faça sem uma conversa prévia e eles carreguem consequências para a vida da adulta, será um caso a ser servido como crítica ao que não seria correto dentro da temática; ainda que não haja erro em tomar as atitudes que a garota aparenta tomar, visando justiça.

  • Até Nunca Mais (Lançamento: 7 de setembro de 2017 / Dirigido e roteirizado por Benoît Jacquot, escrito também por Julia Roy

Até Nunca Mais é uma adaptação de uma das obras do autor Don DeLillo, a qual tem nome de Body Artist. Na trama, Jacques Rey (Mathieu Amalric) e Laura (Julia Roy) formam um casal conectado pela arte. Ambos moram, juntos, em uma grande casa isolada pelo mar. Ele é um cineasta e ela atua em performances que cria. Rey morre. Sem saber a causa da morte, Laura fica sozinha na casa e, aos poucos vai se perdendo de si. Porém, alguém está na casa, Rey, seu marido falecido que está lá por e para ela, como um longo sonho que quer que ela sobreviva.

Com as referências psicanalíticas do autor original, Laura utiliza o seu método artístico para mimetizar os movimentos, gestos e outros fatores do amado, como um método freudiano enviusado em "mitologia" de Mary Shelley. Não existe um cadáver, uma entidade física onde uma vida pode ser devolvida de forma lazariana, abundam sim, as memórias, e a força destas que são armas de apelo da protagonistas.

Além dos aprofundamentos psicológicos mais teóricos contemplados, é possível fazer imersão na obra de forma a observar os atos de Laura como lições e críticas sobre as tentativas humanas de 'controle da mente'. As ferramentas de coaching, por exemplo, são meios para que haja um mergulho no autoconhecimento, de forma a buscar maior organização, disciplina e fins que (e)levem o objetivo visado. No longa, o estudo das formas com que a personagem conduz as memórias e as tentativas de uma aproximação para com o seu enfoque, é uma forma de analisar conduções mentais e refletir sobre organizações diárias, o traçado das metas e outras angulações que fazem com que o enredo abordado, sirva, acima de tudo, como meio de autocrítica para o telespectador e ferramenta representativa para análise dos entornos através de alegorias.

  • O Jantar (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido e roteirizado por Oren Moverman)

Em O Jantar, dois casais se encontram em um elegante restaurante de Amsterdã. Enquanto a comida vai e vem, eles começam a conversar, passando por banalidades da vida até assuntos mais complicados. A discussão chega ao seu limite quando falam sobre seus filhos adolescentes, dois rapazes que estão envolvidos em uma complicada investigação policial.

No decorrer da discussão, os personagens explicitam suas visões de mundo e condições emocionais. Há inversões de expectativas: quem tem interesses políticos em jogo analisa a questão de modo mais maduro; em contrapartida, quem até então parecia mais sensato dá vazão a um discurso reacionário. Ou seja, o longa quebra estereótipos. Nele, temas como a deformação de valores da juventude e a hierarquia nas relações conjugais, discutindo sobre relacionamentos abusivos, são abordados.

A trama ainda abrange sobre hipocrisia política, racismo e reflexões sobre uma geração passar seu conceito de ética e moral para outra. Algumas críticas indicam que o filme, no entanto, mostra conceitos superficiais, como é o caso da noção de que 'pais conturbados, geram filhos conturbados', o que não é fato ou real motivo de quebra de índole. Porém, tal ponto em questão, pode ser abordado, justamente, como proposta para que o tema seja visto de forma inversa. Resta conferir para analisar. O fato é que, pelas propostas dos diálogos e das entrelinhas, que deixam juras de surgimento, principalmente, em teores poéticos imagéticos, O Jantar parece fazer metáfora em seu próprio título, com ideias que agregam interesses sociais, servindo como mesa para alegorizar os jogos, as críticas e as matanças metafóricas feitas no cotidiano.

  • Rodin (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Jacques Doillon)

"Você pode reclamar, porque rosas têm espinhos, ou pode se alegrar, porque espinhos têm rosas" (Zig Ziglar). Esta frase parece ser cabível como resumo de diversas entrelinhas da história de Rodin que, transformada em cinebiografia, ainda não ganhou trailer completo legendado. Na trama, em 1880, o escultor Auguste Rodin (Vincent Lindon) já é bastante conhecido, mas nunca conseguiu nenhuma encomenta do Estado. Esta oportunidade chega aos 40 anos de idade, com a escultura "La Porte de l'Enfer". Enquanto trabalha, ao lado da esposa Rose Beuret (Séverine Caneele), Rodin comete um ato de traição, o que gera consequências para as sua reflexões e para a sua arte.

O ponto da traição, que deixa as minhas dúvidas sobre os valores da trama em altas cargas, pode servir, justamente, como a noção das consequências ocorridas da falta de caráter. Porém, apesar dos riscos em tal quesito, o fato é que Rodin serve de inspiração em fatores grandiosos, como pela ousadia que tinha ao quebrar o que era, até então, considerado como padrão, como 'única forma correta de fazer o requerido'. Com isto, a história de Rodin ganha entrelinhas que podem representar as necessárias e discutidas quebras de padrões atuais (em diversas vertentes e âmbitos), abrindo ainda espaço para inspirações empreendedoras e afins, além de fazer conexões com reflexões de frases como: "Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ela vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido" (Einstein).

  • 2:22 – Encontro Marcado (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Paul Currie / Roteirizado por Todd Stein e Nathan Parker)

Dylan Branson (Michiel Huisman) é um homem que tem a sua vida permanentemente mudada quando uma série de eventos se repete exatamente no mesmo horário todos os dias, às 2:22 da tarde. Quando Dylan se apaixona por Sarah (Teresa Palmer), uma jovem mulher que tem sua vida ameaçada pelos eventos ocorridos, ele deve resolver o mistério que o cerca para preservar o amor que a vida lhe ofereceu como uma segunda chance. Inicialmente, ao fazer uma primeira análise prévia, a proposta da trama fez com que viessem lembranças que remetem ao filme Presságio, porém, as reflexões propostas podem ter angulações bastante diferenciadas.

O longa passeia na noção de efeito borboleta, que carrega a tese do quanto um ato próprio, sempre afeta mais vidas e situações do que as imaginadas.  Além de tal fator, a obra ainda caminha em reflexões sobre foco em relação a determinado objetivo, sobre legado. Afinal, não é a sua cicatriz que importa, é o que você foi capaz de promover depois dela. E é com base em tal linha de raciocínio, que a obra deixa a promessa de caminhar.

O enredo e os desenlaces, que contam com tragédias que, no fundo, vêm por consequências de uma conjunção de atitudes alheias, podem servir como metáforas para cenas e decorrências cotidianas, além do encaixe para críticas sociais de guerras civis que sempre acabam estando presentes. A noção, portanto, do quanto a força de uma só atitude já um começo grandioso para uma mudança, para ser exemplo e para ter sim, fortes impactos, fica em constância; além da abordagem de 'teia', do quanto viemos sozinhos para estarmos juntos, que também ganha força com as temáticas.

Outro ponto de importância que o longa deixa a jura de abordar, é a discussão sobre as crenças e esperanças em um relacionamento, sobre o que é fundamental para uma relação saudável, para que haja entrega. As discussões entre o casal e a possível falta de tentativa de Sarah para mergulhar no que Dylan acredita como missão, pode servir como base para representação e balanceamento conectados a casais que não impulsionam a vida profissional um do outro ou que esquece que "O que destrói as coisas não é a rotina, é a falta de curiosidade" (Capinejar).

Porém, apesar dos possíveis pontos positivos a serem visados, as críticas negativas chegaram em peso para Encontro Marcado. Todas as que já conferi, citaram a forma como a trama pouco é desenvolvida, além da maneira rasa como os personagens são explorados. Se for o caso, será que a profundidade não está, justamente, em enxergar cada ponto como uma sequência de pedaços metafóricos e críticos? Não é possível julgar tais pontos previamente, mas é fato que, talvez, quem enxergou a trama de forma totalmente literal, não tenha sentido os tons reflexivos que ela pode trazer. E, se for o caso da superficialidade e do empacar da estória, é bom conferir para tentar as entrelinhas e, quiçá, criar para si, uma reflexão a mais (por conta própria, ainda que o longa não tanto formule).

  • Detroid: Em Rebelião (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Kathryn Bigelow / Roteirizado por Mark Boal)

Nada é clichê quando, nos atos, não é também; quando ainda é necessário que seja compreendido, quando as lutas e as repetições são fundamentais para que, um dia, possam já não ser em mesma instância. É com base nessa linha de pensamento que surge Detroid. A trama mostra uma operação policial sem planejamento, que originou uma rebelião civil, gerando uma devastadora revolta popular que tomou conta da cidade de Detroit ao longo de cinco dias em 1967. A história verídica resultou em uma batalha campal e deixou um saldo de 43 mortos, mais de 340 feridos e 7 mil prédios queimados.

O documentário cinematográfico aborda temáticas de importância, que se alargam e/ou existem na atualidade de forma maquiada em tantos âmbitos. A obra, figurada em época de opressão e racismo agravado, abrange o quanto o antigo e atual precisam de compreensões/conexões para que haja evolução. A trama, que aborda ainda as consequências de um pequeno ato, demonstrando o quanto nenhum é pequeno como se imagina, vai passear pelos preconceitos e representar muito do que prossegue em decorrência cotidiana. Com a violência física, sexual e psicológica, a partir da manifestação dos estereótipos perpetuados pela polícia de Detroit, é possível ainda pensar no machismo e em outros temas de desrespeito, falta de equidade e afins.

A polícia norte-americana (invoca-se muito o "law and order") porta-se como qualquer grupo que vê algo retirado por um outro: reacionário, desinformado. Tal como hoje, atiram-se e abatem-se alvos claramente desarmados. O sistema continua a oprimir diversos, por vestígios passados e errôneos, e a beneficiar uma pequena classe. A cultura do medo continua de boa saúde. É possível, ainda, com tal embasamento, navegar pela noção do respeito que pedem para leis e culturas que podem, no entanto, conter brechas para a falta de direito equivalentes, o que leva à necessidade de lutas por melhorias, que acabam sendo abafadas pelo que é dito como correto ou como o que deve ser respeitado apenas por ser a forma com que hoje ocorre para tantos. 

O filme pode retratar Detroit como personagem, ainda hoje uma das cidades mais violenta dos EUA e que continua nos braços com problemas de renda social e pobreza, como grande representação também brasileira, e que nos remete a quaisquer injustiçados e passíveis de preconceitos por implantações culturais. Sem uma figura principal, o filme segue com várias histórias individuais que podem trazer reflexões e entrelinhas à parte. E não que seja tão fundamental, já que sejam positivas ou negativas, críticas não devem basear julgamentos prévios (mas são válidas em leituras pela chance de nos abrirem olhos para as nossas próprias visões de demais detalhes), mas a trama, com 39 críticas computadas até o momento, tem 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O fato é que a trama nos deixa com o lembrete de que: "A dor faz parte de tudo. O que não faz parte é se acomodar com ela" (Vanessa Brunt).

Outros filmes prometidos para o mês de outubro são: 

• Documentário: The Paris Opera (28 de setembro) – Fiquei louca com este! Entrelinhas intensas parecem surgir, fazendo da arte, metáfora para diversos âmbitos de testes e provas da vida. Estou aguardando para conferir e analisar mais profundamente por aqui. O documentário retrata o período de um ano em que a diretora Stéphane Bron passou observando a rotina agitada e os bastidores da preparação de músicos, dançarinos, técnicos e da parte administrativa da famosa Ópera de Paris. Ensaios de grandes espetáculos e a revelação de grandes jovens músicos dão o tom da produção.

• Drama: A Palavra (28 de setembro) – Histórias bíblicas atualizadas para o mundo contemporâneo, com personagens do Antigo Testamento envolvidos em dilemas do Brasil de hoje.

• Documentário: A Gente (14 de setembro) – O diretor Aly Muritiba trabalhou por sete anos em uma prisão como integrante da Equipe Alfa. Ele retorna, como cineasta, ao seu antigo local de trabalho para documentar a rotina dos 28 homens e mulheres, que integram a Equipe Alfa, responsável pela custódia de mais de mil criminosos de uma penitenciária brasileira.

• Suspense: O Sequestro (21 de setembro)  A trama traz um alerta de importância social, a partir da situação de uma mulher (Halle Barry), que tem seu filho sequestrado em um parque infantil, não confia no trabalho da polícia (com críticas aos sistemas burocráticos e pouca humanização em alguns casos) e embarca numa corrida contra o tempo para salvá-lo antes que seja tarde demais.

• Drama: Em Defesa de Cristo (14 de setembro) – Lee Strobel é um jornalista que está exatamente onde queria na sua carreira: no topo. Após ganhar um prêmio por um relatório investigativo, ele foi promovido no Chicago Tribune. Em casa, a situação é diferente. Leslie, sua esposa, começou a ter fé em Cristo, indo contra suas crenças, já que é um ateu declarado. Para salvar seu casamento, Lee utiliza sua experiência jornalística e legal para iniciar uma busca a fim de contestar as reivindicações do Cristianismo. Perseguindo a maior história da sua carreira, ele se defronta com resultados inesperados que podem mudar o que ele acreditar ser a verdade.

• Biografia: Pelé: O Nascimento de uma Lenda (Lançamento: 7 de setembro) – A história de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, de sua infância na cidade mineira de Três Corações até a consagração ao ganhar a Copa do Mundo de 1958 pelo Brasil, com apenas 17 anos. Bom lembrar que "nenhum pássaro voa olhando para as próprias asas" (Carpinejar). É bacana conferir também esta crítica aqui.

• Biografia/Policial: Feito na América (14 de setembro)  – Durante a década de 1980, Barry Seal (Tom Cruise), um piloto oportunista da Trans World Airlines, é inesperadamente recrutado pela CIA para realizar uma das maiores operações secretas da história dos Estados Unidos.

• Comédia dramática: Amor Paris Cinema (setembro, sem data confirmada) – Arnaud (Arnaud Viard), cineasta de 45 anos, planeja finalmente realizar o seu segundo filme. Porém, faltam ideias para tal: nenhum dos temas que ele pensou agradaram seu produtor. Enquanto isso, ele também almeja ter um filho com Chloe (Irène Jacob), a mulher de sua vida, mas com ela as coisas não andam. Decidido a mudar de vida, se separa dela e se torna professor em Florent, onde mudará de vida ao conhecer Gabrielle (Louise Coldefy).

• Suspense: Mãe (21 de setembro) – Um casal tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade reinante.

• Comédia: Divórcio (21 de setembro) – O casal Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) leva uma vida humilde, até que os dois ficam ricos depois de criar um molho de tomate que virou sucesso nacional. Com o passar dos anos os dois vão se distanciando e um incidente é a gota d'água para a separação. Enquanto vão em busca do melhor advogado para defender o patrimônio, os dois se envolvem num processo de divórcio complicado. Lembrou-me do curta Separação, que está nos 15 vídeos, incluindo curtas-metragens, para refletir.

• Drama: Uma Mulher Fantástica (7 de setembro) – Marina (Daniela Vega) é uma garçonete transexual que passa boa parte dos seus dias buscando seu sustento. Seu verdadeiro sonho é ser uma cantora de sucesso e, para isso, canta durante a noite em diversos clubes de sua cidade. O problema é que, após a inesperada morte de Orlando (Francisco Reyes), seu namorado e maior companheiro, sua vida dá uma guinada total.

• Comédia dramática: Glory (14 de setembro)  – Tsanko Petrov encontrou uma grande quantia de dinheiro nos trilhos do trem, onde trabalha, e decidiu entregar tudo à polícia. Como recompensa, recebe um novo relógio de pulso, que logo para de funcionar. O problema é que Julia Staikova, chefe do departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes, perdeu o antigo relógio de Petrov, fazendo com que ele inicie uma busca desenfreada pelo objeto.

• Comédia: Duas de Mim (28 de setembro) – Suellen (Thalita Carauta) é uma cozinheira que trabalha duro para manter sozinha o filho pequeno, a irmã mais nova e a mãe. Um dia, seus sonhos viram realidade: ela se divide em duas. Sua cópia, idêntica fisicamente, tem claras diferenças de personalidade, sendo muito mais extrovertida e corajosa. A ideia seria dividir as tarefas com a comparsa, mas logo Suellen percebe que sua sósia tem planos próprios.

• Comédia dramática: Lola Pater (7 de setembro) – Após enterrar sua mãe falecida, o jovem Zino, de 27 anos, descobriu um grande mistério sobre seu passado. Filho de imigrantes argelinos, ele sempre acreditou que seu pai, Farid, quem não vê há 20 anos, abandonou ele e sua mãe e voltou para a Argélia. Agora, inesperadamente, ele recebe a notícia de que o pai nunca voltou para o seu país natal e, para completar, nunca se divorciou da mãe.

• Ação: O Assassino: O Primeiro Alvo (21 de setembro) – Stan Hurley (Michael Keaton), veterano da Guerra Fria, recebe sua tarefa mais complexa enquanto agente de treinamento da CIA quando o seu superior ordena que Hurley treine um ex-soldado das forças especiais, cujo estado psicológico está devastado após a morte de sua noiva.

• Drama: Deserto (14 de setembro)  Um grupo de artistas embarca em uma viagem apresentando um espetáculo por todo o sertão brasileiro. Mas, cansada da vida de nômade, a trupe decide se instalar em uma pequena cidade abandonada, e ali fundar a sua própria comunidade. Eles experimentam pela primeira vez uma outra forma de estar na sociedade, mas para que consigam conviver em harmonia, essas pessoas terão que enfrentar os desafios de viver um novo estilo de vida.

• Animação: Lino (7 de setembro) – Lino trabalha como animador de festas, mas não aguenta mais ter que suportar todos os maus tratos feitos pelas crianças, que zombam dele por trabalhar com uma ridícula fantasia de gato gigante. Determinado a mudar sua vida, ele contrata os serviços de um feiticeiro, mas, inesperadamente, a magia acaba sendo um tiro no pé e Lino se transforma justamente em um felino enorme.

• Animação: O Que Será de Nozes 2 (14 de setembro) – A aventuras de Surly e seus amigos, Buddy, Andie e Precious continuam. Eles descobrem que o prefeito de Oakton está planejando construir um parque de diversões gigante no Liberty Park, o que vai acabar com o lugar onde eles moram. A turma agora precisa se unir para salvar sua casa e derrotar o prefeito.

• Ação/Comédia: Kigsman: O Círculo Dourado (28 de setembro)  Um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina o Kingsman, que conta apenas com Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) como remanescentes. Em busca de ajuda, eles partem para os Estados Unidos em busca da Statesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Juntos, eles precisam unir forças contra a grande responsável pelo ataque: Poppy (Julianne Moore), a maior traficante de drogas da atualidade, que elabora um plano para sair do anonimato.

 Drama: As Duas Irenes (14 de setembro) – Irene (Priscila Bittencourt) é a filha do meio de uma família tradicional do interior, que um dia descobre que o pai (Marco Ricca) tem uma filha fora do casamento, também chamada Irene (Isabela Torres) e da mesma idade que ela. Revoltada com a descoberta, Irene passa a se aproximar de sua meio-irmã e da mãe dela, sem revelar sua identidade. É o início de uma cumplicidade entre elas, que passa também pela descoberta da sexualidade.

• Drama: Quando se tem 17 anos (28 de setembro)  Com reflexões críticas sobre preconceitos, a trama gira em torno de Damien, que é filho de um soldado e mora em um quartel francês junto com a mãe e um médico, enquanto o pai foi enviado para a África Central. Damien é homossexual e não se dá bem com um outro garoto do colégio, Tom, cuja mãe está doente. A violência entre os dois aumenta quando a mãe de Damien decide acolher Tom em sua casa.

• Animação: LEGO Ninjago (28 de setembro)  Durante o dia, Nya, Cole, Jay, Zane, Kai e Lloyd são adolescentes comuns, enfrentando os problemas na escola. Mas à noite eles se tornam ninjas, defendendo a sua ilha natal, Ninjago. Quando Garmadon ataca a cidade com monstros, Lloyd descobre que seu adversário é ninguém menos que o próprio pai.

• Terror: Amitivily: O despertar (14 de setembro) – Belle (Bella Thorne) se muda com seus irmãos e sua mãe, Joan (Jennifer Jason Leigh), para uma nova casa. Mas, quando coisas estranhas começam a acontecer, Belle suspeita que sua mãe esteja escondendo algo importante, e logo percebe que eles estão morando na infame casa de Amityville.

• Terror: It - A Coisa (7 de setembro) – Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado "Losers Club" - o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do "Losers Club" acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

• Terror: Sono Mortal (21 de setembro) – Kate Bowman (Jocelin Donahue) é uma assistente social que está investigando uma misteriosa série de casos em que as pessoas morreram enquanto dormiam. Pouco antes das mortes, as vítimas relataram que uma força sobrenatural apareceu enquanto sofrem paralisia do sono. A medida que se aprofunda no caso, Kate abre espaço para a fúria da criatura, fazendo com ela e sua família sofram com um antigo mal.

• Terror: Morte Instantânea (28 de setembro) – Bird Fitcher (Madelaine Petsch) é uma adolescente tímida do Ensino Médio que pode contar nos dedos aqueles que pode chamar de amigo. Mas o que ela não imaginava era que, após encontrar uma câmera Polaroid amaldiçoada, sua vida seria transformada para sempre: estranhamente, todos que aparecem em alguma foto tirada pelo dispositivo têm um fim trágico e violento.

Além dos novos títulos, ainda estão em cartaz alguns longas do mês passado, como o fim da trilogia Planeta dos Macacos e Como Nossos Pais.

Atenção! As datas previstas podem ser modificadas por algum imprevisto e, geralmente, quando isso ocorre, a trama é lançada no mês seguinte.

Mais um adendo básico que fica é sobre o fato de que um gênero definido para um filme não é embasamento para limitações. Um romance pode ter um enfoque muito maior em autoconhecimento, uma comédia pode ter linhas mais reflexivas que acabem inclinando para o drama e assim por diante. Acima, foram colocados os estilos indicados apenas para uma noção primária que não deve ser confundida com base total.

E então, estava aguardando alguma das obras há muito tempo? Qual das tramas mais chamou a sua atenção? Quais reflexões acrescentaria sobre os pontos já abordados? Não deixe de emitir as suas opiniões e dicas nos comentários.
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A PORTA PARA A RUA PARECE A ENTRADA DA MINHA CASA


Na primeira estranheza, meus olhos faziam dança pelos milímetros do gabinete. Arregalados, incrédulos, indignados. Ardiam. As minhas íris fitavam os objetos estrambólicos e emitiam para os meus pés o recado da necessidade de ir. Os cheiros fortes atacavam a minha rinite, aprazeravam a minha asma e tapavam a minha garganta. Inspirei.

Havia uma cadeira servindo como apoio para ficar de pé, uma lixeira onde você deixava os pratos limpos, livros que obtinham a função dos guardanapos e estantes altas nas quais ficavam os animais de estimação. E eu, que sempre fui fascinada por novas utilidades, por utilizar tênis como um novo formato de porta-lápis, por caçar a metáfora do fogo por detrás de uma geladeira, vi-me ali, com as matas ciliares das minhas visões em tamanho afastamento, a ponto de sentir correr o rio pelo meu queixo.

Naquele primeiro assombro, cambaleei até a porta segurando os meus pulmões afanados. A sua janela, que não servia, jamais, para ser aberta, foi dando adeus à última greta de luz que regava o local. Parei na frente da maçaneta, estupefada, impaciente, desesperada, agonizada, mas não ainda embaralhada. Desmaiei.

Acordei em meio a lençóis macios, com abajures ligados, vias respiratórias menos afetadas e um banquete ao lado. Suas mãos acariciavam a minha bochecha, em um início de passeio pela minha pele, que findara em um tímido cafuné. Seus dedos formulavam um ciclo de bem-estar. Ar. Estávamos no cômodo ao lado daquele gabinete, e esse era o incômodo que ainda deixava vestígios nas minhas cordas vocais. Mas ali, naquele outro aposento, eu respirava.

Com o tempo, pelo pouco sopro e fôlego adquirido após desmaios, meu nariz já não reclamava da poeira do gabinete, estava calejado. Minha revolta pelos livros arruinados parecia esquecer de futucar as minhas entranhas. Meus olhos já não arregalavam por verem uma janela feita para trancafiar. E, aos poucos, de tão acostumada com o que não era poesia e, sim, cálculo de subtração, fui deixando que você levasse o gabinete para dentro da minha sala. Você foi montando um igualzinho ali, pelos cantos das poltronas, no vazio de alguns jarros e em rodapés caídos. Eu ainda ofegava, por vezes meus olhos lagrimejavam e a tosse fazia ecos nos corredores. Mas não era como antes. Não como nas primeiras vezes. Eu já conseguia olhar e não cair dura no chão.

Mas aí você veio com aquela estante enorme, para colocar os animais onde não seriam seres vivos, onde não teriam contato conosco, onde não poderiam sentir. Isso eu não pude permitir. Gritei. Pisei os pés firmemente. E esqueci de reparar que, se meus olhos, boca e órgãos reclamavam da reforma anterior, a mesma atitude de rebelião deveria ter ocorrido quando ela foi iniciada. Afinal, o lixo para os pratos limpos misturava com louvor as frutas podres e o brilhantismo dos esforços de uma mão na pia. Comer naqueles pratos estava alegrando a minha gatriste e chamando uma bela de uma intoxicação alimentar.

Você, então, colocou as estantes de uma forma diferente. Os animais foram para o chão, o que fez uma ponta de esperança subir pela minha nuca. Mas, lá no alto, ainda estavam os passarinhos. Eles ficavam ali, na grande lastra de madeira, com as patinhas acorrentadas. Meu peito ficava mais roxo a cada olhada para aquelas representações de cela. Você tirava as correntes uma vez por dia, e eu aumentava a quantidade ao tapear seus olhos para retirar também.

Com dores no tórax, na garganta, no estômago e nas pupilas, passei a cambalear pela casa inteira. Já não adiantava ir para outros cômodos para puxar brisas vindas das gretas das minhas janelas. Os banquetes, naqueles pratos tóxicos, já não alegravam a minha psique. Mas quando as suas palmas tocavam o meu corpo, era como um medicamento de efeito instantâneo, que durava mesmo depois que elas se afastavam. Não percebia que aquilo, diante de tantas dores em retorno, era apenas paliativo.

Durante a reforma, enquanto uníamos ambas as casas, a minha e a sua, você admirava os quadros com frases e ilustrações que eu grudava nas paredes e pisos. Até o tênis que eu fazia servir de estojo e a bolsa que utilizei para fazer morada de uma planta, ganhavam os seus elogios. De toque seu em retoque meu, conseguia andar com o corpo ereto pelos quartos.

Após alguns meses, me acostumei com os passarinhos presos, com os pratos morando em lixeiras e com a poeira causada pelas janelas fechadas, pela falta de circulação de ar. Fui parando de colocar os meus quadros, os meus tênis, e de criar novas utilidades para o que estava à nossa volta. Tudo foi ficando mais literal, menos sensível, menos poema e mais hábito.

Então, com os olhos hipnotizados, sem achar a mim, fui ao lado da cama em que você dormia e preguei, logo acima, uma estante como a que colocou no meu canto favorito da sala. Nela, acorrentei o único animal que você nunca havia posto em estantes.

Você chegou no quarto, encarou a nova parte da reforma, e espirrou como eu havia espirrado durante tanto tempo. Seus olhos ardiam, você não respirava. Vi as lágrimas se instalando na lateral do seu nariz. Você não aceitava o que você mesmo me propôs a ser.

Os anteriores novos sentidos que eu dava nos cantos, por mais que nem sempre fossem do seu total grado, não matavam o que era fundamental para você. Não prendiam a calopsita que você amava, não causavam dor ao seu sistema respiratório.

E foi ali, naquele segundo, que me olhei no espelho esquecido que morava ao lado da cama. Meu rosto pálido, meu tronco de cor lilás, meu nariz vermelho e a minha boca ressecada. Esses eram os pontos de atenção, porque meus olhos já não eram mais meus por muito tempo, até antes daquele momento. Percebi que há meses não bebia água. Somente suco, refrigerantes e alguns líquidos que não sei nomear. Eu colocava água no seu copo, no entanto.

Corri então para a cozinha. Sem forças nas pernas, fui cambaleando, como sempre estive, ainda que não percebesse. Procurei pela água, precisava dela. Estava recobrando a consciência. Não encontrei uma gota sequer.

E é por isto que preciso sair daqui. Escrevo com as mãos trêmulas e morrendo de sede, precisando de ar limpo. Aqui, me acostumei a achar normal o que acho absurdo. Aqui, virei sinônimo do comodismo que pensa que depois de uns ajustes, o que mata quem sou aos poucos, pode vir a melhorar. Aqui, aceitei o ruim como se fosse uma cultura desrespeitosa. Logo eu, que sempre defendo que nenhum costume, ainda que social, merece viver caso cause falta de direitos equivalentes para todos os lados.

Aqui, deixei de prezar pelo que prezo. Aqui, fui deixando a minha essência embaixo do tapete. E sentimento só serve para ficar, se durante a reforma, o que torna você como alguém bom, permanece. Se durante a reforma, o outro coloca estantes que também gostaria que você pusesse. Se durante a chegada, não existe algo que cause labirintite, asma, quebra do que considera água.

Aqui, a maldade do mundo me pareceu normal. E, logo eu, que sempre acreditei nas raridades e defendi que maturidade é não desistir de sentir, passei a olhar para você como se não fosse encontrar nada melhor. Aqui, esqueci que, apesar de não existir ninguém que se encaixe idealmente nos nossos desejos, existem milhares de nomes vivos que nos dariam de volta, prioritariamente, somente aquilo que anseiam por receber, ainda que tenham lá seus pontos de ajustes.

Não me leve a mal, não se trata de não aceitar a existência das diferenças. É sobre não conceder ao implausível; sobre não cortar pilastras. Não se trata de não tentar abrir olhos como os seus, de não insistir mais um pouco para sair sem incertezas dolorosas. É sobre fechar os meus próprios olhos e deixar de olhar para o que mais admiro em mim. É neste momento, quando passamos a achar trivial aquilo que consideramos incorreto, que está na hora de ir. Está na hora de lembrar que o sentimento saudável pega o que temos de melhor, pega o que temos de criança acreditando em bondades, e amplifica, na maior parte do tempo: no que mais pesa ao colocar a relação na balança.

Soltei os passarinhos das estantes, e você franziu a testa. Joguei a lixeira em uma lixeira e, os pratos limpos, coloquei na pia. Você retorceu o corpo. Abri as janelas, e você reclamou. Resmungou de cada um desses atos, porque eles fazem parte dos meus alicerces, e não dos seus.

Preciso ir para relembrar dos meus azulejos, para descobrir novas tintas sem ter que arrancar as paredes que seguram a minha fundação. Preciso ir para fazer reformas que não quebrem os meus pisos, ainda que novos cimentos sejam propostos. Preciso ir para ficar no honrado, na linha equânime; não em gaiola, mas em ninho. Preciso ir para reencontrar meu teto, em outro canto, canto no qual caiba os meus tijolos, porque neste, não tinha casa minha, tinha uma pensão, quartinho de hotel, sem espaço para afundo sonhar. E onde a nossa cabeça não afunda nos travesseiros, é onde não estamos conseguindo sequer cama.

Preciso ir para o que seja lar; preciso ir para a minha porta, para nunca mais permitir que outra a abrace se não for para, lá dentro, ter o que faz daquele espaço, minha cara  mesmo que com outro nariz e outra altura. As cores precisam se mesclar, ainda que formem novos tons. E aceito quebrar para ser maior. Aceito martelos, furadeiras, novos pregos e reparação. Mas só é justo fazer as rupturas enquanto não elaboram rachaduras. Só é sadia a soma quando as bases não quebram, quando ainda existe rio filtrado para beber, quando ainda encontra espelho.

Seu gabinete jamais serviria para caber na minha sala, porque ele tira a minha fé nas minhas crenças. Ouvi dizer, até, que tem gente que entra nele e diz que não tem nenhum animal nas estantes, nenhuma lixeira com pratos limpos, nenhuma janela fechada, nenhum livro servindo como guardanapo. Talvez, essas sejam as pessoas certas para ficarem de pé na sua cadeira que só serve para calcanhares. Para mim, aqui onde nos juntamos, aí onde chegamos, só sinto agora a minha falta de mim.

Estou batendo a porta e deixando alguns recados na geladeira, alguns tênis para você colocar nos pés e, algumas mochilas para que, quiçá, utilize para plantios. Vou levar aquele jarro belíssimo que deixou no canto da varanda. Afinal, sempre existem desses em todas as casas destroçadas. Mas eles só são esperança e motivo para ficar, quando o mal ainda é ruim, quando migalhas não são aplaudidas, quando quem dá o que não quer receber, ainda é desmerecedor. Quando o que é básico, não vira sinônimo de muito; quando o que seria morada, não vira sinônimo de estranheza. Quando o adeus não vira sinônimo de poder voltar – para casa.
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LINKS FAVORITOS DA SEMANA #10

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O retorno. O entorno das rés. As releituras que formulam novas leituras e, assim, escritos. A necessidade da pausa. O lembrete de que não fazer é também estar fazendo e de que estar fazendo, sem exatamente exibir enquanto está em coleta de si, é algo preciso para não fazer sem o feito que está sendo e-feito. O (re)conhecimento de que olhar pela janela antes de sair pela porta ajuda a saber melhor por onde ir. O saber abdicar para não ser quase. A forma de solidificar a essência através da mudança que chega para continuar o mesmo. A evolução que só vem das revoluções. A ré, o nó, o só para não ser somente. A entrelinha do que retorna ao ser retorno. O propósito.

Digito tais pontos, os costuro como introdução, porque preciso, antes de qualquer detalhe, ir explicando sobre o tempo que passou, sobre os porquês que só surgem para quem os busca, sobre o sobre. No final desta postagem existe uma curta mensagem sobre o renascimento e o prosseguimento da essência deste nosso canto. Estarei compartilhando, obviamente, os escritos confessionais e as análises, entrelinhas e indicações de filmes, séries, músicas (como é o caso de Barquinho de Papel), clipes e todos os conteúdos bacanas que encontrei e intensifiquei em mim durante a pausa ocorrida. Estarei explicando a pausa neste decorrer. Estarei. Sempre estive. Estou.

E para (re)iniciar os compartilhamentos e os mergulhares, fazer um compilado já serve como ajuda para subtrair um pouco da ânsia que fica naquele querer: o querer colocar aqui, de uma só vez, tudo o que tenho guardado. Foram tantos achados que estavam dormindo em mim, tantos, que não cabem apenas os da última semana, mas sim dos últimos tempos. Logo, com vídeos, matérias e links diversos, que misturam indicações para refletir visualizando, ouvindo, re-lendo e interagindo, é que voltamos para o nosso singular plural.

"Às vezes, a única maneira de seguir em frente é parando de mexer-se, segurando firme, ficando imóvel por um tempo e decidindo que não importa o que aconteça, não importa o quanto isso machuque, você está exatamente onde precisa, onde vai querer ter estado". (Being Erica)







1. Site para ler revistas e livros gratuitos [e/ou para postar a sua obra]

"Aceite o que não pode mudar. Mude o que não pode aceitar". Toda arte, é arte apenas quando feita pela honestidade e necessidade brotada de um âmago que passa a captar melhor de si e dos arredores ao expelir análises, desabafos. Mas, apesar dos pontos tão individuais, toda arte, melhor ressaltando, tem ainda, em suas funções, a do desejo de ser obra que parte, que é repartida, que não é só de quem a fez. Uma frase que você escreveu e, após, já não viu como mágica ou profunda, pode ser a grande metáfora que introduzirá em outra vida, a coragem de ser e desvendar. E é com esta noção da importância do compartilhar, do conhecimento de que, conhecimento sem ser lançado de alguma forma, sem ser transmitido e partilhado, não é conhecimento, é que apresento o primeiro link da listagem.

O Issuu é um serviço online indicado para aquelas pessoas que já sonharam em ser editores de revistas, para os que são escritores e desejam publicar um livro de forma independente ou para quem simplesmente deseja organizar informações em textos e disponibilizá-los.

É possível encontrar uma gama extensa de formatos e produtos, além de uma larga variedade de categorias para fazer as buscas. O endereço abraça temáticas que vão desde arte, ciência, decoração, família, entretenimento, espiritualidade, educação e esporte até feminismo, gastronomia, hobby, empreendedorismo, psicologia, saúde, sociedade, tecnologia e viagem, além de outros quesitos e gêneros variados de livros.

Existem três planos pagos dentro da ferramenta, que são necessários apenas para quem publica livros e revistas de autoria própria, o que permite obter estatísticas de visitantes e solicitar remoção de anúncios, ou seja, os que acessam apenas como leitores não precisam de tal preocupação. É possível fazer uma conta gratuita e acessar os projetos.

Durante a leitura de um conteúdo, é possível compartilhar e salvar o material, mas não é possível baixá-lo, por conta dos direitos autorais. A busca por um conteúdo também é descomplicada: há filtros por idiomas, relevância e sensibilidade para menores de idade. Apesar de sua interface estar disponível apenas em inglês, a ferramenta é bastante intuitiva e contém produtos diversos em português.

2. Sites com utilidades e reflexões sobre diversidade / Terceira edição da Revista Soul

Ainda em conexão com o primeiro link, apresento aqui um projeto belíssimo que está no Issuu e surgiu durante o meu curso de Comunicação Social (com enfoque em Jornalismo). Os estudantes do quinto semestre, no qual eu estava inclusa no começo de 2017, produziram a nova edição da Revista Soul, que agora vai para a quarta temporada com novas pautas, mas sempre com uma linha editorial firme. O produto digital (gratuito) reúne matérias que refletem o engajamento nas questões de gênero e diversidade, disseminando, em todos os teores, o ponto mais básico do sentido de respeito: de não fazer com o outro, o que não gostaria que fosse feito consigo.

Nesta edição, a reportagem de capa trata sobre as 56 identidades de gênero. Além das tantas temáticas reflexivas e abordadas em cuidadosas apurações, a revista ainda conta com entrevistas e dicas diversas, como é o caso do garimpo que tive o prazer de fazer sobre sites/blogs que aglomeram utilidades singulares adentradas em tópico de diversidade (é possível conferir o garimpo nas páginas 20 e 21).

Os sites incluem debates, cursos, downloads de livros, vídeos e outras tantas possibilidades que visam empoderar deficientes, mulheres, negros, todos. Todos os que merecem a mesma estima que qualquer outro. São chances de mergulhar em universos que disseminam mais evolução e suporte entre os seres os humanos. Pega o barquinho para ser navio.


O lar literal da Linzmeyer é repleto de poesias. Um buraco na parede não foi fechado, assim como nenhum é completamente tampado dentro de cada um de nós. Tudo deve ser relido, e foi com esta noção que a Bruna, aproveitou a parede quebrada que ali estava e, ao invés de um conserto, o fez ser transformado em maior metáfora ao escrever ao seu redor 'Look inside' ('olhe mais afundo', em tradução livre). Essa lógica com mergulhos intensos e reflexivos é seguida em cada canto da casa, a qual aproveita do besouro para ver o ouro. A beleza oculta, que está em tudo, em cada sentido que vem no dê pois, é aproveitada em cada pedaço do ambiente, como deve ser feito em cada caminhada.

A inspiração traz visões que vão para muito além de tópicos decorativos, é um livro de poemas bem ali, assim como é possível captar e formular em todos os âmbitos. É sobre observar uma cicatriz e enxergar a força que ela trouxe e a sutileza de, a partir dela, lembrar ainda mais que maturidade é não desistir de sentir. Por estas e outras, indico imensamente que o vídeo que está na postagem do link indicado seja também visto. Nele, a Bruna aborda sobre como uma mancha em uma mesa não é uma desvalorização, é o oposto. É lição. É sapato sendo carro. É poesia.

4. Categorias extras da Netflix: Dramas biográficos sempre atualizados

Lá vem as indicações! Alguns dos meus filmes de estimação são cinebiografias ou obras baseadas em fatos reais, como são os casos de: Apenas Uma Chance, 127 Horas, Magia Além das Palavras e A Travessia. Todos já foram analisados por aqui. E não é que tal ponto seja de extrema importância para que reflexões intensas e linhas poéticas possam ser estimuladas, afinal, qualquer criação é feita a partir de um universo de autoconhecimentos. Um roteiro fictício, por exemplo, pode ser um grande compilado de lições e experiências pessoais do autor que o formula, como é o caso da saga Harry Potter (merece algumas análises por aqui, não é mesmo?), que contém diversas entrelinhas e afins sobre aprendizados e vivências da J.K. Rowling. Mas não posso negar o quanto sou encantada por digerir histórias que são metáforas formuladas por caminhares de pontos literais. E é a partir do fator em questão, que fico caçando biografias. Então, temos aqui neste ponto da listagem, dois links: um que traz variadas categorias da Netflix que não estão diretamente disponibilidadas ao acessarmos a plataforma e outro que nos leva diretamente para a categorias de dramas biográficos.

Há dois anos atrás (porém, só fui descobrir neste ano), aproximadamente 1.200 livros da biblioteca particular de Fernando Pessoa foram disponibilizados na internet para consulta online. A digitalização do acervo foi feita pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa. Os livros de vários gêneros e idiomas, no formato PDF e JPG, trazem dedicatórias, anotações, assinaturas, notas, diagramas, poemas e escritos diversos do autor.


Cinco escritores compartilham dicas sobre processos mais produtivos e proveitosos de escrita. Cada lição emitida é baseada em experiências pessoais. A escrita como arte, como forma de desabafo, não deve estar presa em regras ou gaiolas que possam sufocar o que deseja ser dito com neologismos e afins, mas aprendizados e aberturas para testes com novas opções podem, inclusive, abrir a mente para uma releitura própria mais intensa, para a descoberta de um sentimento ainda não expelido, para algo que estava morando nas cordas vocais e aguardando uma nova maneira de pensar para que viesse ao mundo naturalmente. Não que eu concorde, portanto, com tudo que cada um dos autores traz no compilado, mas pela valorização de formas diferenciadas do fluir, e pela noção básica de que escrever é estar lendo mais do que diz  e estar lendo é nunca negar saberes , deixo a indicação.


Um dos formatos jornalísticos que mais causa apreço em mim. Grandes reportagens são como cinebiografias, repletas de teores literários, com formas mais poética aqui e acolá, além de aberturas para lançar reflexões com entrelinhas mais amplas e com personagens literalmente verídicos. A listagem enriquecedora dos cincos livros indicados, traz um compilado com novos olhares dados a assuntos tidos como desgastados: já que reler é reformular, e é sempre aprofundar e inovar. As obras arrecadam lições que podem ser vistas como analogias e metáforas ao tratar do descobrimento e valorização de personagens diversos, atracando aí também uma noção 'efeito borboleta'. São uniões de histórias que formataram grandes reportagens e de diferentes técnicas de entrevista, pesquisa de campo e observação.


Um grupo de fotógrafos foi convidado para um estúdio vazio. O pedido indicava que cada um fizesse uma sessão de fotos no local que não tinha objetos, modelos e (aparentemente) nada para fotografar. Eles não podiam tirar selfies e tinham que criar mensagens em imagens usando as próprias imaginações. O resultado nos leva para o que significa o principal fundamento e encanto da poesia: o enxergar além no literal, o observar que algo significa e explica outros algos de maneira sempre além, mas somente para quem busca captar que o mais fundo está na superfície, para quem capta que o simples é complexo e o complexo é simples, para quem lembra que os porquês surgem para quem busca evolução. Um relógio pode ter muito mais funções do que exibir as horas, pode significar um mar de lições sobre o tempo, assim como pode ser metáfora sobre como um círculo em volta do braço pode ser um guia, levando ao ponto de que liberdade só existe com limites combinados/conversados. Um carro pode falar sobre a importância de ficar parado para seguir em frente, uma rua pode falar sobre como não escolher já é estar escolhendo. O ciclo de conexões não param. Tudo pode ser pó, ou cia. Depende do olho, não da caligrafia.

9. Dicas e tutoriais de tecnologia: Site 1 / Site 2

Meios tecnológicos nos levam a grandes portas com fortes gretas. São pontes para descobertas de conteúdos, para meios de autoconhecimento, para reflexõs sobre os arredores, para debates engrandecedores, para alimentar, reler e reformular o que foi escrito no fundo do caderno. O aprendizado de como utilizar, reutilizar, reaproveitar ou guiar de maneiras diferentes um aparato, pode ser a chave para uma sessão de descobertas intensas. Nenhum saber é inútil, tudo depende do direcionamento e do saber enxergar como além do que já vem colocado. E foi buscando tirar algumas dúvidas dentro desses aspectos que acabei separando na aba de favoritos dois sites com curiosidades e tutoriais sobre a temática.


Trocas de produtos podem gerar processos de trocas evolutivas imensuráveis. Reorganizar o guarda-roupa não é perder o que vai ser doado, mas sim aumentar as bagagens com o que vai ter espaço para ali agora estar. Os cinco sites indicados no link trazem opções assim, que levam para muito além da possibilidade de 'ganhar uma grana extra', mas abordam ainda formas diferenciadas de conhecer lojas que podem ter propósitos interessantes (como são os casos das marcas com projetos repletos de valores críticos/reflexivos que já indiquei aqui), além de outras temáticas, como ainda a chance de ampliar ciclo de amizades e, consequentemente, de trocas de ideias e ideais, ampliando horizontes.


Assim como o Razões Para Acreditar, que já foi indicado por aqui, o Hypeness tem como princípio fortalecer o otimismo das pessoas, impulsionando possíveis melhorias a partir de maiores ciclos de gentilezas. Fico encantada com a singeleza de diversas das matérias, as quais englobam desde artes poéticas e com belíssimas mensagens até casos esporádicos que costumam mesclar humor, leveza e bondade humana. Nada melhor do que abrir o portal após sair dos bombardeios de pessimismos e/ou de absurdos/tragédias que ocorrem diariamente e entristecem horizontes – ainda que precisem das publicações para abrir olhos e mentes. O Hypeness ainda conta com categorias como empreendedorismo e viagens, trazendo dicas inspiradoras.

https://unsplash.com/photos/9N7rxECSqLQ

GARIMPO DO FACEBOOK

Além das descobertas dos links repletos de reflexões e meios evolutivos, o Facebook também trouxe acréscimos interessantes e intensos, com teores poéticos e críticos, que foram parar nas minhas barras de favoritos. Os conteúdos trazem metáforas e pontos de reflexão além do literal. Lembremos de navegar nas entrelinhas, fazer analogias e captar metáforas:


2. Vídeo: Discurso da J.K Rowling / Confira a versão completa clicando aqui 




E então, já tinha acessado alguns dos links? Quais reflexões somáticas pôde atingir sobre eles? Encontrou mais algum link durante a semana que invadiu as suas reflexões? Não deixe de emitir as suas dicas e visões nos comentários. Vamos papear! Estava morrendo de saudade.


RECADO PARA OS SEM QUASES

Durante cada um desses meses, a cada dia, estive deixando em minhas atitudes diárias, em forças nas derrotas e em cada novo escrito, a minha gratidão. Gratidão que está em cada pedacinho do meu cotidiano e em cada descoberta e captação de um novo conteúdo, gratidão por e para cada um que aguardou durante este tempo de pausa, para você que não abandonou as nossas trocas evolutivas, que enviou mensagens inspiradoras e que parou para reler e, assim, inovar.

O Sem Quases vai voltar aos poucos, por enquanto com postagens em dias aleatórios. Após, a programação estará sendo regularizada novamente, com uma quantidade máxima de dias entre cada postagem (como tínhamos). Quando o momento chegar, teremos avisos por aqui. As frases da Frase do Dia, no entanto, terão novamente as renovações diárias.

O meu muito obrigada a você que esteve e está: por entender além, por continuar aqui, por captar que quem não sabe abdicar em alguns momentos de certos pontos, vira quase em vários deles. Obrigada por matar os quases comigo.
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