O raro só é raro para quem aceita o pouco como muito, para quem aplaude o básico.
Vanessa Brunt

ANÁLISE: AS METÁFORAS DE NEW YEAR'S DAY, DE TAYLOR SWIFT


O novo álbum da Taylor Swift foi lançado nesta semana. Não é novidade que sou fã de muitas das composições de Taylor, que produz poesias repletas de entrelinhas críticas e reflexivas na maior parte das suas canções, todas compostas pela própria mão da artista. O Reputation, apesar de não ser, no âmbito geral, o álbum com letras mais intensas da compositora, traz tesouros que podem ser vistos como algumas das melhores escritas de Swift. É bom lembrar que, pelo conceito do álbum, em muitas letras, que podem aparentar como as mais rasas, a dona do Reputation está apenas encarnando personagens criados pela mídia, para fazer críticas enquanto brinca com o próprio papel: como foi o caso em Look What You Made Me Do.

O fato é que, por saber que tais composições iniciais eram nascidas através de personagens e críticas em entrelinhas, estava esperando pelas letras em que Taylor estaria sendo apenas ela mesma, com suas poesias e mensagens nuas. E, aconteceu. Call It What You Want, Getaway Car (que final!) e New Year's Day, são algumas das pérolas do novo álbum, que ainda traz revistas com poemas tão intensos como tais artes.

Escrevi uma postagem breve sobre Call It What You Want, na qual falo sobre alguns dos quesitos e metáforas que mais admiro na letra. A postagem pode ser lida aqui. Mas, veio então New Year's Day, como primeira apresentação do álbum e com uma letra que ganhou extremo espaço no meu coração. Assim como Clean (a minha favorita do álbum anterior de Swift), NYD é a última faixa do Reputation, e uma das minhas favoritas do novo disco. Então, para iniciar as análises da nova fase da carreira da compositora, como já falei levemente sobre Call, vamos começar pela análise da letra da faixa final, que aborda muito da noção de que: Garotos e garotas desejam tortura, caça. Homens e mulheres desejam solidez, paz, casa – Aquilo que consegue ser ano novo após meias-noites, porque o peso maior na balança é o 'rir' do ferir, onde for lar. Vai um brinde? Tim-tim:

Confira o vídeo e, abaixo, as metáforas da letra.


Cada parte sem negrito, é a análise feita para cada estrofe que estará acima:

New Year's Day (Dia de Ano Novo)


Há glitter no chão depois da festa
Meninas carregando seus sapatos pelo lobby
Cera de velas e Polaroids no piso de madeira dura
Você e eu da noite anterior, mas

Para quem lembra das metáforas entrelaçadas nas primeiras palavras da canção Fearless, a conexão pode ser instantânea. O início da antiga composição de Swift, traz o trecho: "Há algo sobre como a rua fica logo após a chuva. Há um brilho no pavimento", a chuva estaria por representar aquilo que pode parecer mais negativo do que positivo, que pode surgir como ocorrências dolorosas, causando 'engarrafamentos', 'desmoronamentos' e 'deslizamentos' (todos os pontos, metaforicamente), mas que, no fim, tem o seu propósito e chega para limpar o que deve ser lavado e esclarecido. O momento da chuva é o de digerir, deitar na cama, analisar, enxergar com maior sobriedade. O abrir de olhos, a retirada do que ali não deveria estar, abre então a luz para novos caminhos, para um maior autoconhecimento, para que algo melhor possa entrar: a luz que, na letra, é o brilho no pavimento, indicando novas possibilidades, mais claras e produtivas, agora com uma maior evolução para compreendê-las e valorizá-las.

O glitter no chão depois da festa, na nova composição de Taylor, aqui analisada, vai além do que é demonstrado em Fearless, mas não deixa de formular laços com as mensagens da primeira estrofe da antiga música. O que ocorre após uma festança? Bagunça. Mesas são reviradas, copos e vidros pelo chão e, mesmo no final de festa mais organizado de todos, lá estarão as sujeiras a serem retiradas. Mas no meio das impurezas, das poeiras e dos vestígios a serem analisados em lixos (ou melhor, em baús e gavetas, já que tudo, mesmo não sendo revivido, deve ser relido), está ali, um brilho. As festas ainda podem representar o vazio, algo que pareceu ser raso. Mas ali, no meio dos fatos, existe alguma profundidade a ser capturada, algo que caiu de cima para iluminar. Os pontos positivos, o lembrete dos lados belos e engrandecedores, as razões de ter acontecido daquela maneira, tudo isso, fica ali, escondidinho, como um pontino de luz em meio à bagunça do final de uma festa. É o glitter, é a mensagem, é o sentido que só aparece para quem deseja crescer e visualizar horizontes, reflexões. A vida só é inteligente e faz sentido para quem sabe ler nas entrelinhas. Se você não quiser que tenha sentido, nunca vai aparecer algum.

Agora analisemos o trecho que afirma que as meninas estão carregando os sapatos pelo lobby. Lobby é um local de entrada, saída e espera de um grande salão, que pode ser de um hotel, apartamento ou outros ambientes. É como uma estação de trem, com pessoas indo e vindo; como muito se utiliza para metaforizar a vida em si. Antes de voltarmos para tal questão, vamos para o fato de que aqueles sapatos nos pés são uma vestimenta, vindas do momento de uma arrumação, de uma 'mágica', como a Cinderela antes da meia-noite; é o sonhar e o preparar-se para o sonho. Tirar os sapatos e levá-los nas mãos, sem ninguém para carregá-los além de si mesmo, é o amadurecimento, é a vulnerabilidade, é o estar sem os pés vestidos, é o sentir do chão como ele realmente é, é a realidade nua e crua, que não necessariamente é negativa, e é aí que está a questão. Lembram do glitter? Ele está também no chão, onde os pés vão pisando e, quiçá, ele acabe ali, grudadinho na sola de um.

O passar pela vida segurando os próprios sapatos não significa que a realidade seja em uma totalidade, ruim (no penúltimo parágrafo deste bloco de análise, você pode conferir mais sobre essa crítica e detalhe da letra), mas representa apenas a compreensão da necessidade da solidão em alguns momentos para compreender melhor os lados positivos e os nãos, é sobre o saber valorizá-la e enxergar nos fatos, os brilhos da calçada. E, principalmente, o momento representa que o que for real/sincero, vai trazer mais paz do que turbulência, mais pontos positivos do que negativos, já que sempre levamos nossos sapatos (bagagens das histórias) sozinhos, cada um com suas versões da história, mas eles só sobrevivem como sonhos, se houver esperança onde os colocamos nos pés. Porque aí sim, vamos querer colocar e tirar naquele mesmo lobby: sentindo o agora e o que pode ser. Sem esperança, sem sentir que pode planejar, sem mais paz do que turbulência, não há livro sendo escrito. Leia a história enquanto sentir que pode escrevê-la.

As ceras de velas representam aquilo que gruda e que vem como clarificação sobre o que realmente deve ficar, já que vela é metáfora, também, para a clareza e essência (uma forma antiga de fazer luz). Logo, as ceras representam o que realmente deve ficar, fazendo jus ao que também é trazido na metáfora dos sapatos. Elas se misturam com Polaroids, que são encaixadas como uma analogia feita para o que quisemos separar e guardar como lembranças principais. O piso de madeira dura é, mais uma vez, a realidade em si, mas é nele também, que está o glitter.

É perceptível a crítica para a noção de que "Ah, o mundo funciona assim,  é assim mesmo, as pessoas são ruins, relacionamentos não prestam, a realidade é sempre dura, é sempre negativa. Quando você conhecer o mundo, vai perceber que sempre foi inocente demais" (e por aí vai). A Taylor mostra que essa concepção é alimentada e criada por nós mesmos, já que a realidade é mutável, é sempre algo a ser reformulado e feito por cada um dentro de um ciclo social. Quanto mais as pessoas forem no sentido oposto do negativo e acreditarem na raridade, colocando em prática o que também gostariam de receber, mais esse sentido de realidade vai sendo modificado. A letra traz, portanto, a tese de que não devemos nos cegar, obviamente, de que nem tudo merece espaço para prosseguir, mas que a raridade também pode ser encontrada em cantos onde as memórias desejadas são mescladas com a realidade e são a principal essência de uma história. Logo, mais uma vez: que fique o que trouxer mais valores do que erros, o que vier com erros perdoáveis por eles não pesarem mais na balança do que os lados positivos desejados. É como digo no final deste poeminha.

Por fim, no último verso, existe a parte 'Você e eu da noite anterior'. A palavra noite pode servir como metáfora para um momento de escuridão, de falta de clareza. No contexto da letra, no entanto, principalmente por trazer a noção de uma festa em conjunto com a noite referida, a palavra ganha um outro sentido metafórico, que é o momento de sonho, da esperança, um auge (que pode ser a paixão ardente ou outras sensações não constantes em relações) que, por algum motivo, despencou logo depois. Já que a noite, é anterior, e existe um 'mas' em conjunção.

Não leia a última página
Mas eu fico quando você está perdido e estou com medo e você está se afastando
Eu quero suas meias-noites
Mas estarei limpando garrafas com você no dia de ano novo

Enquanto temos as afirmações de que a realidade sempre esconde os glitters para quem os enxerga, mas também não merece os sapatos onde não os tem mais do que tem a desordem, a Taylor chega em mais uma reflexão. Após afirmar sobre a entrada em uma fase mais complicada da relação, em que algo forte como um sonho ou a paixão foi enfraquecido, como sempre vai acontecer em algum momento em relacionamentos duradouros, maduros e com intimidade e amor criado; ela pede, então, para que ele 'não leia a última página'. Este trecho pode conter dois sentidos ou, justamente, ambos os sentidos. O primeira seria o de não 'ler' o que aconteceu na noite anterior, ou seja, de deixar aquilo guardado para compreensões, mas de não se apegar àquilo, já que a relação vai muito além e tem mais pontos positivos do negativos, como ela aborda como importante nos primeiros versos. Já o segundo sentido seria o de não tentar ficar imaginando qual seria o desfecho da história, de sonhar dentro dela, mas de deixar fluir, e não se apegar a somente um dos detalhes para criar uma possível 'última página'.

Logo após, a letra afirma que ela (Swift ou quem mandar a música como declaração para alguém) estará lá quando tudo estiver complicado, e ela afirma que deseja esses momentos de complicação, porque isso sim é um amor real. Ela quer as meias-noites que, voltando para as conexões metafóricas com a Cinderela, são momentos do auge de uma mágica, porém, também, simultaneamente, representam a queda de uma 'magia'. É o momento do beijo, da comemoração e, também, a representação do quanto essas fases podem ter quedas. Mas ela só quer as quebras, porque ela sabe que ali, naquela relação, essas quedas não são eternas, não são tão duradouras, porque tem mais glitter no chão do que os momentos negativos, porque existe o que é raro na realidade acima das dores, porque eles lembram que tentar calado em uma relação, já é desistir. Porque, principalmente, eles vão tentar de novo fazer melhor, dialogar, criar sonhos e renovar as paixões, eles vão 'limpar garrafas' (que tem dois sentidos metafóricos, um deles, é o de ficarem bêbados, no sentido figurativo, que leva à noção de sair do agora exato, de sonhar juntos e todos os quesitos já ditos. O outro sentido pode ser conferido mais abaixo) no 'dia de ano novo' (que, novamente, faz metáfora).

A expressão que dá título para a letra e música, representa o momento em que o dia, ou seja, a clareza, o período de lucidez, de colocar nas balanças e enxergar o que pode ser complicado, se mistura com a renovação, com a força e os motivos para continuar, com o peso mais no 'rir' do que no ferir, com o sentir que vale a pena estar ali e também prosseguir sonhando, assim como fazemos em trocas de energias e continuação da fé nas viradas de ano. É sobre a sensação de possibilidades, justamente por ali, naquele vínculo, as juras serem concretizadas, o caminho ser construído com atos além de palavras. É sobre existir a esperança do valer a pena, com o lembrete de que a realidade não precisa ser sinônimo de algo insatisfatório, mas sim, de uma construção bela, quando se está em algo no qual ainda é possível e prazeroso querer brindar, sem que os erros cometidos (o 'ano passado') se sobressaiam.

O 'limpar garrafas' pode, ainda, trazer a noção dupla de também limpar, literalmente, as garrafas do chão (entrando como metáfora o ponto de observá-las na realidade, mas saber lembrar das suas funções, ou seja, saber equilibrar o agora com os atos de construir o que se planeja e com o saber dar seguimento aos esboços dos planos, se está em uma relação que faz com que valha o empenho). O ato de limpar as garrafas no sentido mais literal, aborda sobre o estar ali, no final das festas, tirando as sujeiras, pegando o que foi meio de sonho para refletir sobre, para fazer o trabalho, mais uma vez, juntos. É sobre quem está ao lado, no antes, no durante e no depois; nas festas, nas limpezas, nos altos e baixos; sobre quem sobra na casa para fazer moradia depois das dificuldades e quando todos parecem fugir. É sobre fazer com que os momentos de queda da montanha-russa, no relacionamento, sejam menores e menos intensos e relevantes do que as subidas e as linhas retas.

Você aperta minha mão três vezes no banco de trás do táxi
Posso sentir que vai ser uma longa estrada
Estarei lá através do brinde da cidade, amor
Ou se você cair e voltar rastejando para casa

No trecho 'Você aperta minha mão três vezes no banco de trás do táxi', começaremos pelo 'banco de trás do táxi'. No táxi, existe uma pessoa provavelmente estranha conduzindo o veículo. Isso representa todos os que ficam nos arredores da relação, principalmente o que não são pessoas próximas, e que conduzem diferentes versões, tentando adivinhar o que ocorre dentro daquele relacionamento e julgando, sem perceber, que ali, no banco de trás (ou seja, onde eles continuam sendo julgados, mas onde ninguém dos 'bancos da frente' pode ver direito - jamais), eles estão segurando as mãos um do outro, contando com o outro. O aperto na mão é, ainda, a representação da comunicação forte que existe entre ambos, não somente do sentimento. Quando apertamos a mão de alguém, geralmente estamos chamando a atenção para dizer o que sentimos de forma mais discreta, de forma íntima, quando em público. Todo o trecho representa, portanto, o amor, a amizade (fator fundamental para uma relação honesta) e a ideia de um estar segurando o outro (ela disponibiliza a mão e vice-versa), enquanto ninguém pode afirmar exatamente o que está por acontecer, de fato, na relação.

'Posso sentir que vai ser uma longa estrada. Estarei lá através do brinde da cidade, amor'. Os versos em sequência, iniciam com o 'longa estrada'. Uma estrada tem buracos, quebra-molas, obstáculos e requer atenção. Ser longa demonstra passar por dias e noites, fases e fases, formas e formas, mas, o principal: ela leva a um objetivo, a um lugar, e você só continua nela, se sentir que pode chegar lá, que é ela o caminho para levar você onde é a meta. Logo, é esse o relacionamento do qual a letra trata, assim como muito ratificado no decorrer: importância da balança que pesa mais para os lados favoráveis e indispensáveis, com esperança não morta (lembram da esperança por um fio de Out Of The Woods?). Cidade é um local grande, onde coisas são construídas, dentre prédios gigantescos e casas pequenas, cada espaço com sua importância. Na letra, a cidade representa a relação, pela qual a estrada vai perpassando até ir chegando em novos cantos da mesma.

Ele cair e rastejar, pode acontecer, contanto que não perca a própria essência, contanto que ainda esteja ali o que a faz o admirar, acima dos erros e problemas. Se ele voltar 'para casa' (não esquecer raízes, promessas, limites combinados na relação), ela vai estar lá por ele. E, enquanto valer o brinde depois de 'um ano difícil', ou seja, enquanto valer a comemoração pelas fases complicadas, porque as luzes da cidade e o 'ano novo' são maiores (ou seja, as clarezas e certezas daquela relação são maiores), então, ela (Taylor), ali continuará.

Não leia a última página
Eu fico quando estiver difícil ou soar errado ou quando você estiver cometendo erros
Eu quero suas meias-noites
Mas estarei limpando garrafas com você no dia de ano novo

Leia acima a explicação desta estrofe.

Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
E vou me agarrar a você

Agarrar as memórias, na estrofe da composição, representa o lembrete da importância da essência, de seguir as promessas feitas na relação, os limites combinados (afinal, como afirmo: Não existe peito aberto com mente fechada. Não existe mente aberta sem limites combinados), o que foi dito e deve ser cumprido (dando continuidade e reforçando o que é dito logo anteriormente na letra). Se uma pessoa segue a própria palavra, ela está seguindo a ela mesma, ela não está perdendo o caráter, e só assim ela vai descobrir mais de si com menos cortes e arranhões, e menos perdas na vida. É óbvio que uma ideia ou um combinado pode mudar, mas então outra memória será feita e combinada: outra conversa, outra promessa dialogada em substituição - antes de erros cometidas, porque senão, seria apenas um pedido de desculpas, e não simplesmente uma outra jura feitas em substituição. O que a letra quer dizer com tudo isso? Que ela (quem está cantando a canção), só vai continuar nessa relação, só vai se agarrar a essa relação, só vai lembrar que independência é também saber ser dependente no laço criado, se as memórias, se as palavras, tiverem valor e forem seguidas, porque só assim, ela saberá que a própria pessoa com a qual está, é uma, é íntegra, é aquela que se segura no que a assegura.

Por favor, nunca se torne um estranho cuja risada eu poderia reconhecer em qualquer lugar
Por favor, nunca se torne um estranho cuja risada eu poderia reconhecer em qualquer lugar

Reforçando o que é dito na estrofe acima, a letra ratifica que, caso aquela pessoa vire uma estranha, não cumprindo as palavras, não levando em consideração as memórias criadas na relação e em relação ao que afirma do próprio caráter, que ela não vai merecer a Taylor (ou quem esteja cantando tal canção) na sua vida, então uma pessoa como a Swift irá se afastar, e somente lembrar de poucos dos pontos positivos (representados pela risada). Mas poucos pontos positivos, que não pesam na balança tanto quanto deveriam, não são suficientes para seguir o relacionamento. Assim, ela lembraria dos aprendizados, evoluiria, saberia que ali existiu a risada, que ficou o glitter (lições mesmo que dos pontos negativos, já que eles também têm seus lados positivos depois que tudo passa), mas ela saberia que só iria ouvir, lembrar e, após, virar as costas. Porque ali, no fundo, seria um estranho, alguém que é mais de uma pessoa dentro de si, e isso não vale o esforço, não vale comemorar nas meias-noites, não vale o lembrete de que, depois das meias-noites, vem um novo ano, porque, nesse caso, não viria um ano novo. Um 'novo ano', a tentativa, o renovar, o continuar concretizando, o estar ali pelo outro, só é válido quando o outro também está em mesma instância, com as juras, com o que segura nas quedas. Sendo diferente no equilíbrio, sendo dores maiores que ganhos, não valeria o brinde.

Há glitter no chão depois da festa
Meninas carregando seus sapatos pelo lobby
Cera de velas e Polaroids no piso de madeira dura
Você e eu no para sempre

Esta estrofe (acima) foi explicada no decorrer dos destrinchares, mas existe o acréscimo de um 'para sempre' que, no contexto, representa o 'para sempre' real, com quedas, problemáticas, necessidade de diálogo e de inovações, de mudanças, mas com a essência da promessa, com o seguimento de pontos que devem continuar iguais para que todos os quebra-molas, valham o caminho.

Não leia a última página
Eu fico quando estiver difícil ou soar errado ou quando você estiver cometendo erros
Eu quero suas meias-noites
Mas estarei limpando garrafas com você no dia de ano novo

Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
Agarre-se às memórias, elas vão segurar você
E vou me agarrar a você

Por favor, nunca se torne um estranho cuja risada eu poderia reconhecer em qualquer lugar
Por favor, nunca se torne um estranho cuja risada eu poderia reconhecer em qualquer lugar

Todas as estrofes acima foram já destrinchadas no decorrer da análise. Como a letra nos emite, lembremos desta mensagem e façamos jus ao: Transbordo em tudo. Fico onde couber.

Conectando com a música e suas reflexões, deixo o trecho: "(...) Vou levar aquele jarro belíssimo que deixou no canto da varanda. Afinal, sempre existem desses em todas as casas destroçadas. Mas eles só são esperança e motivo para ficar, quando o mal ainda é ruim, quando migalhas não são aplaudidas, quando quem dá o que não quer receber, ainda é desmerecedor. Quando o que é básico, não vira sinônimo de muito; quando o que seria morada, não vira sinônimo de estranheza. Quando o adeus não vira sinônimo de poder voltar – para casa". Leia este texto clicando aqui.

Caso deseje ler mais análises de clipes metafóricos e letras por aqui, você pode começar clicando na categoria Música, ou na postagem dos meus clipes metafóricos favoritos, para os quais fiz curtas análises (tem mais da Taylor lá!). Análises de filmes, séries e outras produções podem ser lidas na categoria de Cinema/TV.

E, então, o que achou das reflexões da letra? Qual a próxima que deseja ver sendo analisada por aqui? Tem algum clipe também para indicar? Conta nos comentários e vamos conversar. Aproveita, e tira um tempinho para ouvir a nossa (provável) próxima análise da Taylor: Call It What You Want.
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VÍDEO: DICAS DE FILMES E SÉRIES COM KÉFERA BUCHMANN


São tantas as músicas, os clipes, os filmes, as séries, os livros e as diversas artes que deixo em análises nos meus blocos de notas e papéis soltos pelas bolsas. A cada momento em que penso o quanto queria estar compartilhando cada descoberta e reflexão aqui, no Sem Quases, dói o estômago, a minha faringe, cai o meu sistema imunológico. Drama? Não exatamente. Vamos utilizar como metáfora, que é a forma que mais faz parte deste espaço [e de mim]. Mas por que estou abordando todos esses quesitos? Bom, preciso explicar o motivo deste nosso canto do mundo não estar frenético como costumava, pelo menos por enquanto.

O que tem acontecido é, simplesmente, a minha vida profissional. Melhor elaborando: um outro lado dela. Ser escritora, poetisa e fazer cada análise e indicação aqui, são detalhes que fazem parte das partes principais de mim, da minha totalidade, do que já alcanço, do que sempre serei. Meus livros sempre estarão indo para o mundo e as postagens aqui vão ter ainda os retornos dos seus momentos de dinamização maior. Mas estou precisando equilibrar o desfecho da minha graduação em Comunicação Social — Jornalismo, com o meu trabalho no Jornal Correio e com todas essas demais prioridades. Acontece que estou em uma fase: momento em que aglomero o TCC, os projetos finais do curso e, obviamente, muita produção na redação do jornal. Por lá, inclusive, vocês podem acompanhar dicas de séries, filmes e certas análises que não deixo de emitir, já que a minha editoria principal é a de Cultura.

Daqui a alguns meses, o ciclo da graduação estará finalizado e poderemos ficar nos alimentando e mergulhando aqui até os tímpanos doerem. As produções no jornal vão continuar, porém, obviamente, a forma de abordagem lá é outra, apesar de, nas entrelinhas, sempre que possível, existir o encaixe sobre as implicitudes, metáforas e mensagens diversas de cada arte sobre a qual venho a tratar. Então, afirmo de pés juntos, com força nas cordas vocais, que temos muitas coisas nas gavetas para ir soltando ainda nesta nossa esquina intensa. E não poderia finalizar tal explicação sem uma frase: Os mais vivos são os afogados. Os únicos que conseguem, realmente, respirar.

Observação: o vídeo principal desta postagem está no final.


Resultado de imagem para gosto se discute

VÍDEO 1: ENTREVISTA COM KÉFERA E AS ENTRELINHAS DO FILME:
GOSTO SE DISCUTE

Após as justificativas do nosso movimento atual, o assunto do título da postagem finalmente chega por aqui. Como jornalista, fui conferir, um tempo antes do lançamento, o novo longa nacional Gosto Se Discute, que chegou nas grandes telas nesta semana [confira o trailer abaixo] e que tem no elenco protagonista os nomes Cássio Gabus Mendes e Kéfera Buchmann, dona do maior canal de YouTube feminino do país.

A obra utiliza a gastronomia como metáfora para críticas que vão desde a necessidade da pausa e do lazer para um trabalho mais bem feito até a mistura do novo ao tradicional sem uma necessária dicotomia. No filme, Kéfera interpreta a rigorosa Cristina, que é enviada por um banco para a tentativa de salvação do restaurante de Augusto (Cássio), que perdeu a clientela para um food truck instalado bem na frente do seu estabelecimento.


A trama, que sai do estilo de comédia escrachado e apresenta predominância de tons dramáticos, é poética em sua linha principal. Cada detalhe conversado na cozinha, cada prato produzido, cada imagem relacionada e cada acontecimento, são utilizados como metáforas para referenciar aos quesitos desejados. A gastronomia do filme é colocada como metáfora para discussão e quebra de tantos dos padrões sociais. O título não fica de fora das ponderações encaixadas, já que lembra que nada vai agradar a todos e que a novidade e a essência/antigo tem, ambos, seus pontos a serem aproveitados e sempre unidos, pontos que podem ficar ainda mais fortes e acrescidos, quando juntos. Afinal, gosto deve ser discutido, para quem realmente não quer parar no tempo e nem, simultaneamente, se vender para o que hoje vende.

As reflexões abordadas e as entrelinhas são relevantes e bem escolhidas, apesar de certas falas preconceituosas como 'baiano trabalhando' [sendo utilizada em tom irônico] e das falhas do filme ao chegar na sua reta final das cenas. A mensagem de desfecho, apesar de uma conclusão geral que faz jus ao que seria necessário, acaba perdendo força pela execução. A ideia final que os personagens têm: de passar a perna, de dar o troco, de formular uma vingança para alcançar o desejado, poderia ter aderido consequências mais severas ou outras quebras de preconceitos e ideais pragmáticos. Mas o caso não foi aproveitado para maiores críticas dentro do roteiro, fazendo o oposto e enfraquecendo a sequência, que ganha um ar muito maior de ficção, muito menor do poético e até meio bestial. Ainda assim, pelas reflexões do decorrer, a obra fica válida e deixa um gostinho de criar ideias, para que pensemos em uma outra forma, melhor executada, para o desfecho.

Para entender melhor e saber mais sobre as entrelinhas, confira as mensagens do filme e a minha análise jornalística [que não deixa de destrinchar metáforas] clicando aqui. O machismo é apenas um dos outros pontos tocados.

Após assistir a trama, fomos então, em nome do Jornal Correio, entrevistar a Kéfera sobre a nova fase da sua carreira. Tivemos um problema técnico em relação à qualidade e tamanho da imagem deste primeiro vídeo, o que não ocorreu com o último gravado [que está abaixo]. É possível utilizar a ferramenta do vídeo para escolher a melhor qualidade de imagem. Confira:


Foram produzidas três matérias sobre a temática. Uma, que pode ser conferida mais acima [ou aqui, novamente], com a minha breve análise sobre o longa. Outra, que pode ser conferida aqui, com outras curiosidades e declarações da Kéfera e, por fim, a que faz jus ao título desta postagem, e que pode ser conferida abaixo.

VÍDEO 2: DICAS DE FILMES E SÉRIES COM KÉFERA BUCHMANN


Leia a matéria que contém este vídeo e confira todos os trailers e sinopses [com algumas das entrelinhas principais de cada trama], clicando aqui.

Os meus comentários nos vídeos seriam mais repletos de análises e de outras indicações, mas como estava ali representando o jornal e não o Sem Quases, a postura precisava ser outra: um pouco mais imparcial. Mas podemos ainda fazer análises mais aprofundadas de alguns dos filmes indicados pela Kéfera. Qual você gostaria de ler por aqui?

Detalhe: Lá no nosso canal [que está também nesse ritmo mais lento pelos mesmos motivos explicados no início da postagem], criei uma parte nova, para encaixar alguns desses vídeos que tenho produzido no jornal no qual trabalho. Vem mais por aí!

Conferiu a matéria [ou as matérias]? Já tinha conferido algum dos filmes? Já assistiu Gosto Se Discute? Encontrou outras entrelinhas reflexivas? Quais seriam as suas respostas para a TAG que fiz com a Kéfera? Ufa! Muitas perguntas para vocês. Contem as respostas nos comentários e vamos conversar.
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O QUE ASSISTIR NOS CINEMAS EM SETEMBRO DE 2017


Voltaremos a ter, em cada mês, as informações e as análises prévias dos títulos que vão para as telonas? Sem falta. Setembro veio carregando variados pesos reflexivos em tramas. Muitas críticas sociais e políticas estão marcando presença em formas metafóricas, enquanto não ficam de fora as cinebiografias e as obras que abrangem temáticas sobre processos criativos e artísticos, de maneira a formularem entrelinhas para diversas lições poéticas, com alegorias para inúmeros âmbitos. São longas para conferir nas salas de cinema ou para deixar naquela lista de pendências e caçar depois, afinal, outros filmes, mais antigos, também são indicados no decorrer dos destrinchares. Confira abaixo as análises das reflexões que podem ser esperadas a partir dos pilares de múltiplos dos títulos.

  • Esta é a Sua Morte (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido por Giancarlo Esposito / Roteirizado por Noah Pink e Kenny Yakkel)

A trama, que traz críticas em uma obra feita com base metafórica, apresenta Adam Rogers (Josh Duhamel), que é um apresentador de TV com um novo e ousado programa, onde as pessoas são pagas para se matarem ao vivo. Tal iniciativa macabra gera muitos protestos mas também faz bastante sucesso, graças ao fascínio do público em acompanhar a degradação de outras pessoas. O suicídio, que é um assunto delicado, mas que precisa de maior atenção e debate, infelizmente tem crescido no país. Porém, o longa, que chega também para pautar a importância de discussão, utiliza da questão, que fica como mais um ponto de alerta, como metáfora para as mortes não literais (e literais) que ocorrem no cotidiano. Mortes de outros que são sempre nossas, ainda que tratadas como formas de entretenimento e/ou como pautas banais.

O enredo remete a algumas discussões, também trazidas metaforicamente pelo filme Jogos Vorazes, porém, o filme promete outras questões em entrelinhas e formas diferenciadas de abordagem e reflexão. Padrões sociais a serem quebrados, estereótipos a serem desconstruídos, desigualdade social em ascensão e outros pontos são somente alguns dos que, em formas poéticas e agonizantes, ficam como juras para maiores aprofundamentos do título.

Os acontecimentos que deveriam ser os mais chocantes, absurdos e discutidos, tornam-se os mais tratados como triviais e desimportantes; como se a realidade fosse 'isso mesmo', de forma a ser "impossível mudar agora". Deixam de lado que "Se for possível, está feito. Se for impossível, vamos fazê-lo" (Marechal Alexandre Gomes) e que "Sem saber que era impossível, foi lá e fez" (Jean Cocteau). Há uma inversão catastrófica, na qual uma cultura desrespeitosa, sem equidade, é tratada como algo a ser respeitado (sem diálogos, sem discussões) e, ainda, uma notícia de entretenimento ganha um baque maior do que diversos assassinatos e/ou lutas perante desigualdades. Deixando de olhar uns para os outros com respeito (pondo-se no lugar daquele outro ser), deixamos também de olhar os detalhes mais grandiosos da vida, esquecendo que o mais fundo está na superfície, estamos vivendo em uma escuridão em que, em meio ao bombardeamento de informações e a péssima seleção, em geral, do que alastrar, ninguém nota que um pássaro raro passou bem ao lado ou que a lua estava brilhante ao extremo naquela noite.

A crítica do Esta é a Sua Morte surge, portanto, como um debate metafórico diante da disparidade do que hoje é visto como comum e, consequentemente, ignorado, enquanto deveria ser eternamente espantoso, porque só assim passaríamos a ir modificando a "realidade" e lembrando que ela é maleável e feita por atos aglomerados e levados adiante. O problema todo está em confundir realidade com "algo normal", "que tem que ser assim", só porque já é. Quando algo se torna real, a ponto de virar comum, costuma virar banal, e a indústria não-jornalística passa a ser chocante, enquanto fatos espantosos são apenas rotineiros.

As analogias formuladas no longa, portanto, ficam para quesitos como as mortes causadas no programa, que representam, justamente, tal inversão de espantos, tal abatimento de atos para a modificação do que ocorre. Além desses quesitos, o filme traz análise do universo do entretenimento, o qual nos leva a pensar em formas de 'ditaduras de pão e circo'. O filme remete, ainda, a lembretes que podem ser encaixados para quaisquer formas de relacionamentos, e não somente os sociais, como destrinchado no texto A porta para a rua parece a entrada da minha casa, no qual desembaraço: "Aqui, a maldade do mundo me pareceu normal.(...) É neste momento, quando passamos a achar trivial aquilo que consideramos incorreto, que está na hora de ir.(...) Estou batendo a porta e deixando alguns recados na geladeira, alguns tênis para você colocar nos pés e, algumas mochilas para que, quiçá, utilize para plantios. Vou levar aquele jarro belíssimo que deixou no canto da varanda. Afinal, sempre existem desses em todas as casas destroçadas. Mas eles só são esperança e motivo para ficar, quando o mal ainda é ruim, quando migalhas não são aplaudidas, quando quem dá o que não quer receber, ainda é desmerecedor. Quando o que é básico, não vira sinônimo de muito; quando o que seria morada, não vira sinônimo de estranheza. Quando o adeus não vira sinônimo de poder voltar – para casa".

  • Pendular (Estreia: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Júlia Murat, escrito também por Matias Mariani)

Em Pendular, um jovem casal se instala em um galpão industrial abandonado. Uma faixa laranja, colada ao chão, divide a área em duas porções iguais: à direita, o ateliê de escultura dele; à esquerda, o estúdio de dança dela. A trama acontece neste cenário, onde arte, performances e intimidade se misturam; e onde os personagens perdem lentamente sua capacidade de distinguir entre seus projetos artísticos, seu passado e sua relação afetiva.

"Não existe peito aberto com mente fechada. Não existe mente aberta sem limites combinados" (Vanessa Brunt). O filme discute a noção de que liberdade não existe sem delimitações acordadas, sem diálogo, propostas e 'contratos' a serem sempre repostos na mesa, aprofundados. A lição, que é discutida a partir do relacionamento indicado, traz linhas literais representando os limites, o equilíbrio das prioridades (que devem mudar o que fica nos topos dependendo dos contextos e momentos) e meios de autoconhecimento. Além disso, a noção do que é soma em um laço entre seres humanos, é também posta em pauta. Sonhar o sonho do outro, sem deixar de criticar e buscar ideias que possam impulsionar o objetivo alheio, é um dos pontos de análise.

A narrativa se divide em capítulos que sugerem a lenta degradação do casal, trazendo as possibilidades de relacionamento a partir das entrelinhas poéticas. Arte e amor vão sendo desenvolvidos e conectados, colocando em questão, ainda, o que é, de fato, arte: a verdade e a necessidade de expressão e desabafo de tal honestidade corroída por dentro, que leva a reflexões enquanto vai sendo transformada em vômito (arte). Os conflitos da dançarina, por exemplo, se transmitem nos ensaios, e o escultor passa a modificar seu trabalho em função da crise afetiva.

Em meio a desenlaces sobre a relação, ambos os personagens vão construindo debates sobre criatividade, olhar poético (que é enxergar metáforas, entrelinhas e lições diferenciadas em todos os pontos) e, principalmente, sobre a intensidade que remete ao: "Transbordo em tudo. Fico onde couber" (Vanessa Brunt) e "Quem não se importa em ter metade, já desistiu do inteiro. Quem não se importa em dar metades, nunca visou o inteiro. Quem demora o retorno para o ponto de desespero, já perdeu do outro qualquer paz e deixou o outro com-ciência(como digo em Quem não se importa em ter metade, já desistiu do inteiro).

  • Polícia Federal - A Lei é Para Todos (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Marcelo Antunez / Roteirizado por Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros)

2013. Durante a realização da Operação Bidone, a Polícia Federal apreende, no interior, um caminhão carregado de palmito, que trazia escondido 697 kg de cocaína. A investigação recai na equipe montada por Ivan Romano (Antonio Calloni), seadida em Curitiba e composta também por Beatriz (Flávia Alessandra), Júlio (Bruce Gomlevsky) e Ítalo (Rainer Cadete). As conexões do tráfico os levam ao doleiro Alberto Youssef (Roberto Birindelli) e, posteriormente, ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (Roney Facchini), que revela uma imensa estrutura envolvendo construtoras e o governo, de forma a desviar dinheiro público. À medida que a investigação avança, o grupo liderado por Ivan se aproxima cada vez mais de alguns dos políticos mais influentes do país.

O longa, que tem como proposta mostrar pinceladas dos bastidores da Operação Lava Jato, tem recebido críticas sobre as questões partidárias na qual está envolvido. Ainda não conferi a trama, porém, deixo a minha visão, de que a realidade abordada deve ficar acima de quaisquer teores relacionados a preferências políticas. Se um partido ou quaisquer seres cometeram injustiças, alinharam falta de caráter e declínios a mais, independente de quaisquer outros pontos, é o que deve ser colocado no topo da lista. Não tenho uma preferência partidária e vejo as noções de "direita" e "esquerda" cada vez mais embaralhadas na atualidade, com novos pontos de pauta e análises, de forma a levar análises e acordos, da minha posição, para quesitos de ambas as partes. Mas o fato é que a questão não deveria ser focada nessas linhas, mas sim no objetivo do respeito e da verdade.

A frase: "Se você é neutro em situações de injustiça, você está escolhendo o lado do opressor" (Autor Desconhecido) cai como ideal na situação. Não é que outros tópicos não devam ser discutidos, como é o caso da necessidade de tantos dos quesitos voltados para a noção de equidade, que ainda tem fragilidades em leis e afins. Trata-se da união prioritária para investigar e combater o que for errôneo acima dos outros debates.

Existe uma cena, que é uma das minhas favoritas, em uma série que, em breve, estarei indicando aqui. Nela, o personagem faz um questionamento semelhante a: "Se um homem trai a esposa, mas salva milhares de vida em uma guerra por ser honesto sobre algo que descobriu durante a batalha: ele tem um caráter bom ou ruim?". A terapeuta, que é para quem a pergunta é direcionada, coloca a questão da integridade na mesa. Ser íntegro, é ter os mesmos pilares e caráter independente do âmbito. O homem que traiu a esposa, apesar de ter sido honesto na guerra e enxergar isso como algo muito maior, pode destruir diversas vidas com o grau de desonestidade cometido na relação (dependendo dos seus atos, da verdade contada, das escolhas e consequências a mais); não existe anulação.

"O bom pode até ser feito sem ter muita noção do que fez, no entanto, sempre saberá o mínimo que seria feito para anular a sua benignidade. Por conseguinte, a falta de respeito é exatamente o que sabe que não deveria ser feito. É por isso que um erro costuma ser uma morte, uma quebra, um vidro espatifado. E um acerto, em casos de ser o básico ou em comparativos com erros, é só mais um acerto. O reconhecimento mesmo, vem no meio, quando o erro quer nos beijar, deixa na cara ou nas linhas escondidas que ali poderia ser cometido, e sem delongas, pelo simples, pelo bom, pelo que não precisa ser pedido para saber que é o certo, ele é esquivado.(...) Lealdade é responder todas as perguntas, mesmo as mais gratuitas. Não há pergunta ruim, e sim resposta medrosa" (Não é o que parece; Vanessa Brunt).

  • Columbus (Lançamento: 14 de setembro / Dirigido e roteirizado por Kogonada)

"Existe uma rachadura em tudo, é assim que a luz entra" (Leonard Cohen).

Na cidade americana que batiza o filme vivem Casey (Haley Lu Richardson) e a mãe dela. O sonho da moça é se formar em arquitetura, mas ela abdica disso para cuidar da mãe, ex-viciada em metanfetamina. Numa palestra sobre arquitetura, Casey conhece Jin (John Cho), filho de renomado arquiteto sul-coreano que tem um mal súbito durante o evento. A angústia de ter os pais doentes e paixões profissionais, une os dois jovens. O medo do futuro que está por vir e as ligações entre o passado de Casey e Jin acabam interligando as lições das suas respectivas vidas.

 As análises das arquiteturas demonstradas na trama, aparentam trazer traços metafóricos para o filme, no qual os pontos arquitetônicos apresentam as sensações e críticas sociais feitas por Casey, que formula diálogos profundos e discute as obras arquitetônicas do finlandês Eliel Saarinen (1873-1950) e de seu filho Eero (1910-1961), ambos ligados à cidade.

A utilização de espelhos, água e outros objetos e elementos, prometem trazer também metáforas imagéticas, que acompanham as reflexões dos personagens. Os pontos das vidas abdicados de ambos, trazem lições sobre prioridades e, principalmente, deixam a jura das abordagens sobre organização, disciplina e outras mensagens emitidas em Poder Além da Vida. No entanto, a sutileza de detalhes poéticos é o que faz das críticas e lições ainda mais intensas.

Nas linhas mais diretivas estão temáticas como a separação, na qual, a ideia de que o fim precisa demorar para ser fim, está destrinchada. O desvincular de um laço, afinal, precisa analisar para ser fim. Precisar permear o fim para ser fim. Precisa mais do tempo sendo fim, do que do fim para ser fim. O fim de um relacionamento não é fim porque acabou. É fim porque continuou acabando enquanto continuava, enquanto andava pelo fim sem saber se poderia ser recomeço. Fora a isso, os outros tipos de fim, não são finais. São desculpas para chamar a atenção, para conversar o que não teve coragem, ou para mostrar que, quiçá, nunca teve sequer começo, seja por pesos formulados de um lado, ou do outro: culposo por demonstrar que nunca houve lealdade.

Temas como vínculo familiar são utilizados não somente para as reflexões basilares trazidas, mas para a representação de quaisquer fatores que sirvam como obstáculos para outras prioridades, mas que são também prioritários. O equilíbrio entre prioridades, que fazem balança entre relacionamento e autoconhecimento, é encaixado em assuntos como realização profissional, que pode ainda ser visto como representativo de sonhos diversos. Outro ponto a ser observado, porém mais conectado em entrelinhas e metáforas, é a personificação da própria cidade, que pode ser vista como um outro personagem na vida dos protagonistas e/ou como alguém que o próprio telespectador venha a lembrar (encaixando como comparativo na própria vida: de quem está assistindo), fazendo comparativo a diversas formas de relacionamentos, incluindo os abusivos ou outros formatos. Afinal, o sentido aparece para quem busca o dê-pois; a rachadura só serve para fazer luz entrar, para quem olhar pela greta mais afundo.

  • De Volta Pra Casa (Lançamento: 28 de setembro / Dirigido e roteirizado por Hallie Meyers-Shyer)

Depois de uma separação dolorosa, Alice Kinney (Reese Witherspoon) decide começar uma nova vida com as duas filhas em Los Angeles, a sua cidade natal. Tudo parece estar entrando nos eixos, até ela conhecer Teddy, Zoey e Harry, três aspirantes a cineastas que precisam de um lugar para morar. Alice permite que os rapazes permaneçam em seu quarto de hóspede temporariamente, mas o acordo gera situações bastante inesperadas e laços fortes vão se formulando. Enquanto a cabeça da protagonista está confusa e entregue a novas emoções, o inesperado acontece: Austen, o ex-marido arrependido, bate-lhe à porta, decidido a reconquistá-la.

De Volta Pra Casa deixa a promessa de permear reflexões sobre família e amizade como aspectos prioritários, os quais ganham proximidade com os pontos de lições obtidos no filme Estão Todos Bem. O pai que não é presente, e que acredita que marcar corpo e atenção nas urgências é a principal forma de demonstrar amor, é um dos exemplos que trazem os fundamentos reflexivos. Afinal, como já destrinchei na análise do outro filme indicado aqui no parágrafo: nada supre o conforto da intimidade, e não é só o tempo que a constrói, é a permanência. Asa sem existência de casulo, pesa. E sempre há algo de urgente ocorrendo, todos os dias, em todas as vidas, ainda que venha mascarado com simplicidade e sensação de não necessidade de um compartilhamento fervoroso. Quem não vai até o pote, nunca poderá ver o cisco que impregnou nele, e se a atenção for dada somente quando ele estiver quebrado no chão, grudá-lo, ainda assim, pode não ser forma de limpar o cisco de lá.

Desconstruções sobre o tópico da maturidade também são agregadas, comprovando que ela depende muito mais do olhar de quem viveu e da busca que comprova que é quando a vida dá uns nós que cruzam os porquês, do que da experiência em si, ainda que a tal não seja excluída como fator de importância. O ponto em questão ainda traz a comprovação do quanto a sensibilidade e a imaginação são teores de maior relevância do que as sabedorias históricas. O quesito é abordado a partir da relação que os três garotos passam a construir com os filhos de Alice e a família em geral, trazendo críticas que abrangem o conceito de família, quebrando a noção encaixotada e padronizada que a sociedade, em geral, ainda recobra. De tal forma, reflexões sobre feminismo e sobre diversas das lutas por respeito, ficam enlaçadas nas entrelinhas da trama. Além disso, o enredo ainda aborda o relacionamento a dois entre pessoas de faixas etárias diferenciadas, trazendo o assunto como mais um ponto que está enlaçado na noção de sentimento, respeito e caráter acima de preconceitos.

A protagonista parece ratificar a frase "Os fracos se vingam. Os fortes se protegem" (Augusto Cury), já que não deixa de lembrar que maturidade é não desistir de sentir, porém, apesar de ir até as últimas gotas nas histórias, lembrando ainda que os mais vivos são os afogados, Alice corta casos que mostram que estão indo para uma terceira chance. Questões assim são fincadas no relacionamento com o ex-marido da personagem, que não deixa de enxergar os ganhos das perdas, e acaba deixando a jura de ser inspiradora justamente por tal fator, além do ponto de caçar autoconhecimento e força a partir de tal "lema".

Apesar dos possíveis pontos clichês, portanto, o filme, que é da mesma roteirista do longa O Amor Não Tira Férias, promete trazer, de forma leve, porém com pesos nas entrelinhas, reflexões que elevam amor-próprio, ratificando o quanto ele não existe com profundidade perante quem não sabe lembrar de ser entrega e crescer a partir dos riscos de sentir e construir nós.

  • Exodus: De Onde Eu Vim Não Existe Mais (Lançamento: 28 de setembro / Dirigido por Hank Levine)

Acompanhando as jornadas de seis refugiados, Napuli, Tarcha, Bruno, Dana, Nizar e Lahtow, o documentário Exodus, que conta com narração de Wagner Moura, é uma observação sobre o estado do mundo frente à crise dos refugiados que se espalhou por todo o planeta, visto que cada vez mais pessoas deixam seus lares para fugirem de motivos diversos como guerras e epidemias, buscando um porto seguro para recomeçar suas vidas.

Com linguagem poética e filosófica, a partir de um olhar observador e repletos de sinestesias em longos planos, a obra humaniza a questão da imigração  e traz crítica sobre como a atuação de diversos países em relação ao tema tem sido economicista, xenófoba e excludente.

É possível enxergar o projeto de forma ainda mais poética ao visualizar os personagens propostos como representativos não somente dos refugiados, mas de todos os excluídos socialmente de alguma maneira; encaixando desde as crianças e adolescentes que sofrem por padrões sociais e estereótipos, até os marginalizados por situações financeiras e outros meios preconceituosos, que causam bloqueios para a entrada e ascensão de novos talentos e vozes na sociedade. Entra também, como possibilidade de analogia, a crítica para a indústria cultural da atualidade, cada vez mais mercantilista e sem equilíbrios de espaços mais justos para artista sem condições econômicas prévias e/ou um grande público que garanta vendas de forma anterior ao produto final. 

O documentário busca garantir essa inicialização de vozes, para que os protagonistas possam contar as suas experiências, seus pensamentos e sentimentos. O projeto filma homens e mulheres, jovens e idosos, das mais distintas religiões e etnias, para traçar um mosaico global da exclusão. Os entrevistados fornecem informações sobre as falhas no sistema de asilo internacional, as dificuldades de inserção cultural, o descaso dos governos locais, entre outros pontos críticos. Ao mesmo tempo, imaginam soluções distintas e, algumas, que remetem a demais críticas, como o machismo ainda impregnado mundialmente e outras formas de julgamentos marcados por preconceitos estereotipados.

Algumas críticas afirmam que o projeto constitui uma boa reportagem de sensibilização ao tema, mas que serve apenas como espécie de olhar introdutório para se buscar, em outros materiais, mais informações sobre a questão dos refugiados. Seja da forma que for, quaisquer produtos deixam brechas para maiores aprofundamentos e visões que enxerguem além, o que depende dos encaixes alheios e das disseminações propostas pelos telespectadores para maiores criticidades. O ponto de peso é que as visões ponderadas pelos humanos em questão, prometem utilizar o tema para ir além dele, e para utilizá-lo como representação de tamanhas e demais questões.

  • A Garota do Armário (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Marc Fitoussi)

A Garota do Armário nos apresenta a uma jovem de quatorze anos de idade, que tem que experimentar trabalhar por uma semana como parte de um projeto escolar. Por isso, sua mãe arranja um estágio para a menina na companhia de seguros, onde trabalha como executiva júnior. Porém, enquanto reorganiza um armário de armazenamento, a jovem descobre alguns segredos desagradáveis que a empresa mantém escondido e que podem envolver sua mãe.

A trama traz críticas mais literais ao sistemas burocráticos, que ganham fortes conexões com quesitos brasileiros. Além do ponto, o título ainda aborda injustiças que ocorrem por ganância e pelos sistemas empresariais de diversos países, os quais negligenciam situações e suportes às outras vidas, por conexões de interesses financeiros e afins. Dentro dessas questões, é que a protagonista desenvolve pesquisas e resolve mudar o destino de um dos casos que acompanhou como ignorado, afinal, "Band-aids não curam buracos de balas" (Taylor Swift).

Nos quesitos mais poéticos, a trama deixa a promessa de trazer lições fundamentais sobre amizade. O ponto fica visível em abordagens como a que agrega o fato de que a comprovação de um laço é feita na entrega e permanência, mesmo que em fases de vida diferentes. As reflexões ainda são formuladas a partir da reação da filha perante o que considera errôneo nos atos da mãe: indagando, dialogando e fazendo, por si, o que considera correto. Não é possível saber, sem antes assistir, se a garota avisa para a mãe sobre os atos que cometerá e, caso os faça sem uma conversa prévia e eles carreguem consequências para a vida da adulta, será um caso a ser servido como crítica ao que não seria correto dentro da temática; ainda que não haja erro em tomar as atitudes que a garota aparenta tomar, visando justiça.

  • Até Nunca Mais (Lançamento: 7 de setembro de 2017 / Dirigido e roteirizado por Benoît Jacquot, escrito também por Julia Roy

Até Nunca Mais é uma adaptação de uma das obras do autor Don DeLillo, a qual tem nome de Body Artist. Na trama, Jacques Rey (Mathieu Amalric) e Laura (Julia Roy) formam um casal conectado pela arte. Ambos moram, juntos, em uma grande casa isolada pelo mar. Ele é um cineasta e ela atua em performances que cria. Rey morre. Sem saber a causa da morte, Laura fica sozinha na casa e, aos poucos vai se perdendo de si. Porém, alguém está na casa, Rey, seu marido falecido que está lá por e para ela, como um longo sonho que quer que ela sobreviva.

Com as referências psicanalíticas do autor original, Laura utiliza o seu método artístico para mimetizar os movimentos, gestos e outros fatores do amado, como um método freudiano enviusado em "mitologia" de Mary Shelley. Não existe um cadáver, uma entidade física onde uma vida pode ser devolvida de forma lazariana, abundam sim, as memórias, e a força destas que são armas de apelo da protagonistas.

Além dos aprofundamentos psicológicos mais teóricos contemplados, é possível fazer imersão na obra de forma a observar os atos de Laura como lições e críticas sobre as tentativas humanas de 'controle da mente'. As ferramentas de coaching, por exemplo, são meios para que haja um mergulho no autoconhecimento, de forma a buscar maior organização, disciplina e fins que (e)levem o objetivo visado. No longa, o estudo das formas com que a personagem conduz as memórias e as tentativas de uma aproximação para com o seu enfoque, é uma forma de analisar conduções mentais e refletir sobre organizações diárias, o traçado das metas e outras angulações que fazem com que o enredo abordado, sirva, acima de tudo, como meio de autocrítica para o telespectador e ferramenta representativa para análise dos entornos através de alegorias.

  • O Jantar (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido e roteirizado por Oren Moverman)

Em O Jantar, dois casais se encontram em um elegante restaurante de Amsterdã. Enquanto a comida vai e vem, eles começam a conversar, passando por banalidades da vida até assuntos mais complicados. A discussão chega ao seu limite quando falam sobre seus filhos adolescentes, dois rapazes que estão envolvidos em uma complicada investigação policial.

No decorrer da discussão, os personagens explicitam suas visões de mundo e condições emocionais. Há inversões de expectativas: quem tem interesses políticos em jogo analisa a questão de modo mais maduro; em contrapartida, quem até então parecia mais sensato dá vazão a um discurso reacionário. Ou seja, o longa quebra estereótipos. Nele, temas como a deformação de valores da juventude e a hierarquia nas relações conjugais, discutindo sobre relacionamentos abusivos, são abordados.

A trama ainda abrange sobre hipocrisia política, racismo e reflexões sobre uma geração passar seu conceito de ética e moral para outra. Algumas críticas indicam que o filme, no entanto, mostra conceitos superficiais, como é o caso da noção de que 'pais conturbados, geram filhos conturbados', o que não é fato ou real motivo de quebra de índole. Porém, tal ponto em questão, pode ser abordado, justamente, como proposta para que o tema seja visto de forma inversa. Resta conferir para analisar. O fato é que, pelas propostas dos diálogos e das entrelinhas, que deixam juras de surgimento, principalmente, em teores poéticos imagéticos, O Jantar parece fazer metáfora em seu próprio título, com ideias que agregam interesses sociais, servindo como mesa para alegorizar os jogos, as críticas e as matanças metafóricas feitas no cotidiano.

  • Rodin (Lançamento: 21 de setembro / Dirigido e roteirizado por Jacques Doillon)

"Você pode reclamar, porque rosas têm espinhos, ou pode se alegrar, porque espinhos têm rosas" (Zig Ziglar). Esta frase parece ser cabível como resumo de diversas entrelinhas da história de Rodin que, transformada em cinebiografia, ainda não ganhou trailer completo legendado. Na trama, em 1880, o escultor Auguste Rodin (Vincent Lindon) já é bastante conhecido, mas nunca conseguiu nenhuma encomenta do Estado. Esta oportunidade chega aos 40 anos de idade, com a escultura "La Porte de l'Enfer". Enquanto trabalha, ao lado da esposa Rose Beuret (Séverine Caneele), Rodin comete um ato de traição, o que gera consequências para as sua reflexões e para a sua arte.

O ponto da traição, que deixa as minhas dúvidas sobre os valores da trama em altas cargas, pode servir, justamente, como a noção das consequências ocorridas da falta de caráter. Porém, apesar dos riscos em tal quesito, o fato é que Rodin serve de inspiração em fatores grandiosos, como pela ousadia que tinha ao quebrar o que era, até então, considerado como padrão, como 'única forma correta de fazer o requerido'. Com isto, a história de Rodin ganha entrelinhas que podem representar as necessárias e discutidas quebras de padrões atuais (em diversas vertentes e âmbitos), abrindo ainda espaço para inspirações empreendedoras e afins, além de fazer conexões com reflexões de frases como: "Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ela vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido" (Einstein).

  • 2:22 – Encontro Marcado (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Paul Currie / Roteirizado por Todd Stein e Nathan Parker)

Dylan Branson (Michiel Huisman) é um homem que tem a sua vida permanentemente mudada quando uma série de eventos se repete exatamente no mesmo horário todos os dias, às 2:22 da tarde. Quando Dylan se apaixona por Sarah (Teresa Palmer), uma jovem mulher que tem sua vida ameaçada pelos eventos ocorridos, ele deve resolver o mistério que o cerca para preservar o amor que a vida lhe ofereceu como uma segunda chance. Inicialmente, ao fazer uma primeira análise prévia, a proposta da trama fez com que viessem lembranças que remetem ao filme Presságio, porém, as reflexões propostas podem ter angulações bastante diferenciadas.

O longa passeia na noção de efeito borboleta, que carrega a tese do quanto um ato próprio, sempre afeta mais vidas e situações do que as imaginadas.  Além de tal fator, a obra ainda caminha em reflexões sobre foco em relação a determinado objetivo, sobre legado. Afinal, não é a sua cicatriz que importa, é o que você foi capaz de promover depois dela. E é com base em tal linha de raciocínio, que a obra deixa a promessa de caminhar.

O enredo e os desenlaces, que contam com tragédias que, no fundo, vêm por consequências de uma conjunção de atitudes alheias, podem servir como metáforas para cenas e decorrências cotidianas, além do encaixe para críticas sociais de guerras civis que sempre acabam estando presentes. A noção, portanto, do quanto a força de uma só atitude já um começo grandioso para uma mudança, para ser exemplo e para ter sim, fortes impactos, fica em constância; além da abordagem de 'teia', do quanto viemos sozinhos para estarmos juntos, que também ganha força com as temáticas.

Outro ponto de importância que o longa deixa a jura de abordar, é a discussão sobre as crenças e esperanças em um relacionamento, sobre o que é fundamental para uma relação saudável, para que haja entrega. As discussões entre o casal e a possível falta de tentativa de Sarah para mergulhar no que Dylan acredita como missão, pode servir como base para representação e balanceamento conectados a casais que não impulsionam a vida profissional um do outro ou que esquece que "O que destrói as coisas não é a rotina, é a falta de curiosidade" (Capinejar).

Porém, apesar dos possíveis pontos positivos a serem visados, as críticas negativas chegaram em peso para Encontro Marcado. Todas as que já conferi, citaram a forma como a trama pouco é desenvolvida, além da maneira rasa como os personagens são explorados. Se for o caso, será que a profundidade não está, justamente, em enxergar cada ponto como uma sequência de pedaços metafóricos e críticos? Não é possível julgar tais pontos previamente, mas é fato que, talvez, quem enxergou a trama de forma totalmente literal, não tenha sentido os tons reflexivos que ela pode trazer. E, se for o caso da superficialidade e do empacar da estória, é bom conferir para tentar as entrelinhas e, quiçá, criar para si, uma reflexão a mais (por conta própria, ainda que o longa não tanto formule).

  • Detroid: Em Rebelião (Lançamento: 7 de setembro / Dirigido por Kathryn Bigelow / Roteirizado por Mark Boal)

Nada é clichê quando, nos atos, não é também; quando ainda é necessário que seja compreendido, quando as lutas e as repetições são fundamentais para que, um dia, possam já não ser em mesma instância. É com base nessa linha de pensamento que surge Detroid. A trama mostra uma operação policial sem planejamento, que originou uma rebelião civil, gerando uma devastadora revolta popular que tomou conta da cidade de Detroit ao longo de cinco dias em 1967. A história verídica resultou em uma batalha campal e deixou um saldo de 43 mortos, mais de 340 feridos e 7 mil prédios queimados.

O documentário cinematográfico aborda temáticas de importância, que se alargam e/ou existem na atualidade de forma maquiada em tantos âmbitos. A obra, figurada em época de opressão e racismo agravado, abrange o quanto o antigo e atual precisam de compreensões/conexões para que haja evolução. A trama, que aborda ainda as consequências de um pequeno ato, demonstrando o quanto nenhum é pequeno como se imagina, vai passear pelos preconceitos e representar muito do que prossegue em decorrência cotidiana. Com a violência física, sexual e psicológica, a partir da manifestação dos estereótipos perpetuados pela polícia de Detroit, é possível ainda pensar no machismo e em outros temas de desrespeito, falta de equidade e afins.

A polícia norte-americana (invoca-se muito o "law and order") porta-se como qualquer grupo que vê algo retirado por um outro: reacionário, desinformado. Tal como hoje, atiram-se e abatem-se alvos claramente desarmados. O sistema continua a oprimir diversos, por vestígios passados e errôneos, e a beneficiar uma pequena classe. A cultura do medo continua de boa saúde. É possível, ainda, com tal embasamento, navegar pela noção do respeito que pedem para leis e culturas que podem, no entanto, conter brechas para a falta de direito equivalentes, o que leva à necessidade de lutas por melhorias, que acabam sendo abafadas pelo que é dito como correto ou como o que deve ser respeitado apenas por ser a forma com que hoje ocorre para tantos. 

O filme pode retratar Detroit como personagem, ainda hoje uma das cidades mais violenta dos EUA e que continua nos braços com problemas de renda social e pobreza, como grande representação também brasileira, e que nos remete a quaisquer injustiçados e passíveis de preconceitos por implantações culturais. Sem uma figura principal, o filme segue com várias histórias individuais que podem trazer reflexões e entrelinhas à parte. E não que seja tão fundamental, já que sejam positivas ou negativas, críticas não devem basear julgamentos prévios (mas são válidas em leituras pela chance de nos abrirem olhos para as nossas próprias visões de demais detalhes), mas a trama, com 39 críticas computadas até o momento, tem 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. O fato é que a trama nos deixa com o lembrete de que: "A dor faz parte de tudo. O que não faz parte é se acomodar com ela" (Vanessa Brunt).

Outros filmes prometidos para o mês de outubro são: 

• Documentário: The Paris Opera (28 de setembro) – Fiquei louca com este! Entrelinhas intensas parecem surgir, fazendo da arte, metáfora para diversos âmbitos de testes e provas da vida. Estou aguardando para conferir e analisar mais profundamente por aqui. O documentário retrata o período de um ano em que a diretora Stéphane Bron passou observando a rotina agitada e os bastidores da preparação de músicos, dançarinos, técnicos e da parte administrativa da famosa Ópera de Paris. Ensaios de grandes espetáculos e a revelação de grandes jovens músicos dão o tom da produção.

• Drama: A Palavra (28 de setembro) – Histórias bíblicas atualizadas para o mundo contemporâneo, com personagens do Antigo Testamento envolvidos em dilemas do Brasil de hoje.

• Documentário: A Gente (14 de setembro) – O diretor Aly Muritiba trabalhou por sete anos em uma prisão como integrante da Equipe Alfa. Ele retorna, como cineasta, ao seu antigo local de trabalho para documentar a rotina dos 28 homens e mulheres, que integram a Equipe Alfa, responsável pela custódia de mais de mil criminosos de uma penitenciária brasileira.

• Suspense: O Sequestro (21 de setembro)  A trama traz um alerta de importância social, a partir da situação de uma mulher (Halle Barry), que tem seu filho sequestrado em um parque infantil, não confia no trabalho da polícia (com críticas aos sistemas burocráticos e pouca humanização em alguns casos) e embarca numa corrida contra o tempo para salvá-lo antes que seja tarde demais.

• Drama: Em Defesa de Cristo (14 de setembro) – Lee Strobel é um jornalista que está exatamente onde queria na sua carreira: no topo. Após ganhar um prêmio por um relatório investigativo, ele foi promovido no Chicago Tribune. Em casa, a situação é diferente. Leslie, sua esposa, começou a ter fé em Cristo, indo contra suas crenças, já que é um ateu declarado. Para salvar seu casamento, Lee utiliza sua experiência jornalística e legal para iniciar uma busca a fim de contestar as reivindicações do Cristianismo. Perseguindo a maior história da sua carreira, ele se defronta com resultados inesperados que podem mudar o que ele acreditar ser a verdade.

• Biografia: Pelé: O Nascimento de uma Lenda (Lançamento: 7 de setembro) – A história de Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, de sua infância na cidade mineira de Três Corações até a consagração ao ganhar a Copa do Mundo de 1958 pelo Brasil, com apenas 17 anos. Bom lembrar que "nenhum pássaro voa olhando para as próprias asas" (Carpinejar). É bacana conferir também esta crítica aqui.

• Biografia/Policial: Feito na América (14 de setembro)  – Durante a década de 1980, Barry Seal (Tom Cruise), um piloto oportunista da Trans World Airlines, é inesperadamente recrutado pela CIA para realizar uma das maiores operações secretas da história dos Estados Unidos.

• Comédia dramática: Amor Paris Cinema (setembro, sem data confirmada) – Arnaud (Arnaud Viard), cineasta de 45 anos, planeja finalmente realizar o seu segundo filme. Porém, faltam ideias para tal: nenhum dos temas que ele pensou agradaram seu produtor. Enquanto isso, ele também almeja ter um filho com Chloe (Irène Jacob), a mulher de sua vida, mas com ela as coisas não andam. Decidido a mudar de vida, se separa dela e se torna professor em Florent, onde mudará de vida ao conhecer Gabrielle (Louise Coldefy).

• Suspense: Mãe (21 de setembro) – Um casal tem o relacionamento testado quando pessoas não convidadas surgem em sua residência acabando com a tranquilidade reinante.

• Comédia: Divórcio (21 de setembro) – O casal Noeli (Camila Morgado) e Júlio (Murilo Benício) leva uma vida humilde, até que os dois ficam ricos depois de criar um molho de tomate que virou sucesso nacional. Com o passar dos anos os dois vão se distanciando e um incidente é a gota d'água para a separação. Enquanto vão em busca do melhor advogado para defender o patrimônio, os dois se envolvem num processo de divórcio complicado. Lembrou-me do curta Separação, que está nos 15 vídeos, incluindo curtas-metragens, para refletir.

• Drama: Uma Mulher Fantástica (7 de setembro) – Marina (Daniela Vega) é uma garçonete transexual que passa boa parte dos seus dias buscando seu sustento. Seu verdadeiro sonho é ser uma cantora de sucesso e, para isso, canta durante a noite em diversos clubes de sua cidade. O problema é que, após a inesperada morte de Orlando (Francisco Reyes), seu namorado e maior companheiro, sua vida dá uma guinada total.

• Comédia dramática: Glory (14 de setembro)  – Tsanko Petrov encontrou uma grande quantia de dinheiro nos trilhos do trem, onde trabalha, e decidiu entregar tudo à polícia. Como recompensa, recebe um novo relógio de pulso, que logo para de funcionar. O problema é que Julia Staikova, chefe do departamento de relações públicas do Ministério dos Transportes, perdeu o antigo relógio de Petrov, fazendo com que ele inicie uma busca desenfreada pelo objeto.

• Comédia: Duas de Mim (28 de setembro) – Suellen (Thalita Carauta) é uma cozinheira que trabalha duro para manter sozinha o filho pequeno, a irmã mais nova e a mãe. Um dia, seus sonhos viram realidade: ela se divide em duas. Sua cópia, idêntica fisicamente, tem claras diferenças de personalidade, sendo muito mais extrovertida e corajosa. A ideia seria dividir as tarefas com a comparsa, mas logo Suellen percebe que sua sósia tem planos próprios.

• Comédia dramática: Lola Pater (7 de setembro) – Após enterrar sua mãe falecida, o jovem Zino, de 27 anos, descobriu um grande mistério sobre seu passado. Filho de imigrantes argelinos, ele sempre acreditou que seu pai, Farid, quem não vê há 20 anos, abandonou ele e sua mãe e voltou para a Argélia. Agora, inesperadamente, ele recebe a notícia de que o pai nunca voltou para o seu país natal e, para completar, nunca se divorciou da mãe.

• Ação: O Assassino: O Primeiro Alvo (21 de setembro) – Stan Hurley (Michael Keaton), veterano da Guerra Fria, recebe sua tarefa mais complexa enquanto agente de treinamento da CIA quando o seu superior ordena que Hurley treine um ex-soldado das forças especiais, cujo estado psicológico está devastado após a morte de sua noiva.

• Drama: Deserto (14 de setembro)  Um grupo de artistas embarca em uma viagem apresentando um espetáculo por todo o sertão brasileiro. Mas, cansada da vida de nômade, a trupe decide se instalar em uma pequena cidade abandonada, e ali fundar a sua própria comunidade. Eles experimentam pela primeira vez uma outra forma de estar na sociedade, mas para que consigam conviver em harmonia, essas pessoas terão que enfrentar os desafios de viver um novo estilo de vida.

• Animação: Lino (7 de setembro) – Lino trabalha como animador de festas, mas não aguenta mais ter que suportar todos os maus tratos feitos pelas crianças, que zombam dele por trabalhar com uma ridícula fantasia de gato gigante. Determinado a mudar sua vida, ele contrata os serviços de um feiticeiro, mas, inesperadamente, a magia acaba sendo um tiro no pé e Lino se transforma justamente em um felino enorme.

• Animação: O Que Será de Nozes 2 (14 de setembro) – A aventuras de Surly e seus amigos, Buddy, Andie e Precious continuam. Eles descobrem que o prefeito de Oakton está planejando construir um parque de diversões gigante no Liberty Park, o que vai acabar com o lugar onde eles moram. A turma agora precisa se unir para salvar sua casa e derrotar o prefeito.

• Ação/Comédia: Kigsman: O Círculo Dourado (28 de setembro)  Um súbito e grandioso ataque de mísseis praticamente elimina o Kingsman, que conta apenas com Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) como remanescentes. Em busca de ajuda, eles partem para os Estados Unidos em busca da Statesman, uma organização secreta de espionagem onde trabalham os agentes Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Juntos, eles precisam unir forças contra a grande responsável pelo ataque: Poppy (Julianne Moore), a maior traficante de drogas da atualidade, que elabora um plano para sair do anonimato.

 Drama: As Duas Irenes (14 de setembro) – Irene (Priscila Bittencourt) é a filha do meio de uma família tradicional do interior, que um dia descobre que o pai (Marco Ricca) tem uma filha fora do casamento, também chamada Irene (Isabela Torres) e da mesma idade que ela. Revoltada com a descoberta, Irene passa a se aproximar de sua meio-irmã e da mãe dela, sem revelar sua identidade. É o início de uma cumplicidade entre elas, que passa também pela descoberta da sexualidade.

• Drama: Quando se tem 17 anos (28 de setembro)  Com reflexões críticas sobre preconceitos, a trama gira em torno de Damien, que é filho de um soldado e mora em um quartel francês junto com a mãe e um médico, enquanto o pai foi enviado para a África Central. Damien é homossexual e não se dá bem com um outro garoto do colégio, Tom, cuja mãe está doente. A violência entre os dois aumenta quando a mãe de Damien decide acolher Tom em sua casa.

• Animação: LEGO Ninjago (28 de setembro)  Durante o dia, Nya, Cole, Jay, Zane, Kai e Lloyd são adolescentes comuns, enfrentando os problemas na escola. Mas à noite eles se tornam ninjas, defendendo a sua ilha natal, Ninjago. Quando Garmadon ataca a cidade com monstros, Lloyd descobre que seu adversário é ninguém menos que o próprio pai.

• Terror: Amitivily: O despertar (14 de setembro) – Belle (Bella Thorne) se muda com seus irmãos e sua mãe, Joan (Jennifer Jason Leigh), para uma nova casa. Mas, quando coisas estranhas começam a acontecer, Belle suspeita que sua mãe esteja escondendo algo importante, e logo percebe que eles estão morando na infame casa de Amityville.

• Terror: It - A Coisa (7 de setembro) – Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado "Losers Club" - o clube dos perdedores. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do "Losers Club" acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

• Terror: Sono Mortal (21 de setembro) – Kate Bowman (Jocelin Donahue) é uma assistente social que está investigando uma misteriosa série de casos em que as pessoas morreram enquanto dormiam. Pouco antes das mortes, as vítimas relataram que uma força sobrenatural apareceu enquanto sofrem paralisia do sono. A medida que se aprofunda no caso, Kate abre espaço para a fúria da criatura, fazendo com ela e sua família sofram com um antigo mal.

• Terror: Morte Instantânea (28 de setembro) – Bird Fitcher (Madelaine Petsch) é uma adolescente tímida do Ensino Médio que pode contar nos dedos aqueles que pode chamar de amigo. Mas o que ela não imaginava era que, após encontrar uma câmera Polaroid amaldiçoada, sua vida seria transformada para sempre: estranhamente, todos que aparecem em alguma foto tirada pelo dispositivo têm um fim trágico e violento.

Além dos novos títulos, ainda estão em cartaz alguns longas do mês passado, como o fim da trilogia Planeta dos Macacos e Como Nossos Pais.

Atenção! As datas previstas podem ser modificadas por algum imprevisto e, geralmente, quando isso ocorre, a trama é lançada no mês seguinte.

Mais um adendo básico que fica é sobre o fato de que um gênero definido para um filme não é embasamento para limitações. Um romance pode ter um enfoque muito maior em autoconhecimento, uma comédia pode ter linhas mais reflexivas que acabem inclinando para o drama e assim por diante. Acima, foram colocados os estilos indicados apenas para uma noção primária que não deve ser confundida com base total.

E então, estava aguardando alguma das obras há muito tempo? Qual das tramas mais chamou a sua atenção? Quais reflexões acrescentaria sobre os pontos já abordados? Não deixe de emitir as suas opiniões e dicas nos comentários.
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