(...) Porque uma hora nós deixamos a vida resolver. O coração quer o que ele quer. A vida quer o que faz valer.
Vanessa Brunt

VÍDEO: SÉRIES NÃO ÓBVIAS PARA FICAR À FLOR DA PELE


A parte mais saborosa da descoberta é a partilha. Meus bloquinhos de anotações lotados já estavam com lágrimas explosivas de tantos acúmulos e aguardos. É tanta coisa não óbvia que tenho em negritos e que precisava começar a berrar em 2018. Ai, que alívio por já ter derramado um pouco mais agora (abaixo)! Afinal, caçar entrelinhas é também fazer, sempre, uma super fuga dos clichês, ainda que saibamos abraçá-los com o lembrete de que o mais fundo está, muitas das vezes, nas superfícies. Então, eis um vídeo que inicia uma sequência de muitos outros que virão: com indicações para assistir [nos diversos sentidos da palavra], das quais você provavelmente nunca ouviu falar. São aquelas dicas de ouro para chorar, refletir e ficar à flor da pele. Tem um "quatro" sendo feito bem ali, mas acabei indicando muito mais. Afinal, é sempre necessário e útil fazer jus ao nome deste canto, não é?


Durante o vídeo, prometi deixar alguns links na descrição do nosso canal, mas agilizo aqui, porque sentir é urgência: O primeiro link a ser compartilhado é com a minha matéria de séries não óbvias para loucos por psicologia [uma das listas que mais tenho orgulho nesta vidona!]. Continuamos a listagem com o vídeo de TAG sobre séries [no qual falo sobre Grey's Anatomy e outras tantas]. Por fim, temos a postagem na qual falei sobre Outlander.

E então, já conferiu alguma das séries? Qual pretende devorar primeiro? Alguma das reflexões recebeu acréscimos no seu interior? Não deixe de compartilhar seus palpitares nos comentários. Vamos ampliar esses abraços!
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VÍDEO: DICAS DE FILMES E SÉRIES COM ELENCO DO FILME FALA SÉRIO, MÃE! + CRÍTICA


O filme Fala Sério, Mãe! estreou nos cinemas na quinta-feira (28), com trama baseada na obra homogênea da escritora Thalita Rebouças. Fui assistir ao longa antes do lançamento nas grandes telas e, em meu papel de jornalista, encontrei com Ingrid Guimarães e Thalita para uma conversa que seria vinculada como entrevista para a minha crítica sobre a obra, feita para o jornal no qual trabalho (lá, no entanto, a crítica não está completa: ela pode ser conferida inteira mais abaixo).

Mas, obviamente, eu não poderia deixar de aproveitar a oportunidade para lançar aquela TAG de filmes e séries que faço sempre nesses casos. Junto com o ator Marcelo Laham, as duas artistas deram suas dicas durante o bate-papo. O mais bacana é que muitas das indicações fugiram do óbvio, logo, é bem provável que, ao menos algum dos citados, ainda não esteja na sua lista de assistidos. Confira no vídeo:


Outra TAG no mesmo estilo, em vídeo, que já lancei aqui, foi com a Kéfera. Já conferiu?

CRÍTICA DO FILME FALA SÉRIO, MÃE! | CONFIRA AS ENTRELINHAS DA TRAMA



Fala sério, sociedade! Esta expressão poderia substituir o título do novo filme baseado na obra homogênea de Thalita Rebouças. O longa, estrelado por Ingrid Guimarães e Larissa Manoela, vai muito além da sinopse – e da comédia – e traz entrelinhas recheadas de críticas ao machismo, de quebras de tabus entre pais e filhos e da desconstrução de diversos preconceitos como, por exemplo, os que circundam as questões das faixas etárias.

Ângela Cristina é mãe, profissional, esposa, mulher, ser humano. Ela precisa lidar com as dificuldades e delícias de preencher todos esses papéis e saber quando deixar algum deles como prioridade. Enquanto Ângela vive uma montanha-russa de emoções, medos e frustrações, a filha, Malu, como prefere ser chamada, também tem suas insatisfações e vitórias em cada fase.

A trama, que é narrada por ambos os pontos de vista: ora por Ângela e ora por Malu, vai para além da relação entre mãe e filha, apesar do enfoque no crescimento de Malu, indo da infância até a vida adulta (aos 20 anos), com as nuances do laço materno. Os personagens secundários, como os outros filhos de Ângela e o marido, no entanto, servem para apresentar as vidas pessoais dessas duas mulheres, que acabam destrinchando, no decorrer do longa, diversas mensagens individuais e alertas globais. Confira o trailer:


Apesar das cenas cômicas que lembram, por vezes, outras comédias brasileiras, essas ficam apenas como respiros em meio ao conteúdo denso e lagrimejante demonstrado. Sim, é um filme que, muito provavelmente, fará você chorar, justamente nas cenas que podem ser consideradas simples. O estilo de comédia pastelão pouco permeia a trama, que utiliza até dos momentos aparentemente exagerados para finalidades e emoções que são interligadas na obra.

Nada é gratuito. "Foi mico? Foi. Mas se a minha mãe não tivesse feito isso, eu nunca teria coragem de tirar aquela foto que eu tanto queria": esta é uma das falas da personagem de Larissa, que representa as tantas intenções implícitas do longa. Assim é construído Fala Sério, Mãe!, parafraseando Leminski com o lembrete de que o mais fundo, sempre está na superfície.

A realidade nua e crua que desmistifica o que muitos dizem ser belo e tranquilo no início da vida materna aparece, no filme, desde o momento da dor para amamentar até a fase em que o casal não deve deixar de apimentar a relação. Mas o longa, novamente, vai além e deixa aquele berro de que a realidade é sempre relativa e que o raro, só é raro, para quem aceita o pouco como muito. Um pai presente surge como crítica aos que pensam que existe tamanha divisão com o papel de mãe, assim como um marido que não apresenta bom caráter aparece para questionar a integridade e lembrar que: quem tenta sem compartilhar com o outro, no relacionamento, já deixou de tentar; bem como: porta conformada só tem função de saída.

O uso pouco ponderado da tecnologia como afastamento das famílias e casais também não deixa de estar presente. Além de outras indagações. Ela tem idade suficiente para trabalhar? Ela tem idade suficiente para dar uma lição de moral? A trama traz uma simples resposta: os papéis sempre se invertem (de mãe e filha, de aluno e professor...).

Mas, e se os pais não mudarem de opinião? Nesses casos, saber ver os ganhos das perdas é outra mensagem que o filme carrega. Malu, por exemplo, descobre o que ama fazer profissionalmente através de uma decisão em família com a qual não concorda. Ao tentar se encaixar na nova realidade, uma caminhada de autoconhecimento invade a casa.

Ela, inclusive, é a personagem que mais carrega quesitos feministas e merece, portanto, atenção a cada uma das suas atitudes, que servem como críticas sociais. A garota é chamada de 'fácil' pela própria mãe, tem a iniciativa de beijar um garoto que não tomou atitude e, ainda assim, bate os pés para lembrar que isso não a torna menos sensível, menos séria, menos 'difícil' e menos humana. A jovem relembra que existem várias mulheres dentro de uma, e que se valorizar é também fazer o que sente vontade, contanto que ali não haja quebras de honestidades.

A trilha sonora variada e bem escolhida, cria uma linha a mais de reflexões. A canção final, escrita por Thalita Rebouças, deixa o tom de uma das mensagens: "Se você me deixar ir, sempre vou querer voltar", afinal, ficando se ensina, ensinando se aprende, forçando não se fica.

ENTREVISTA: NOS BASTIDORES 
(É FIEL AO LIVRO? O QUE THALITA ACHOU?)

Na trama, Thalita e Ingrid trabalharam para além dos papéis de escritora e atriz: Ingrid foi roteirista, enquanto a autora do livro foi produtora. Ao conversar com ambas, Thalita declarou: "A importância do diálogo e da honestidade nas relações é uma das principais mensagens. O filme retrata todas as reflexões que eu quis pontuar no livro e ainda traz acréscimos, sem deixar de lado os traços cômicos. Ele trouxe cenas que eu queria muito ter escrito, como a chuveiro, que é uma das mais emocionantes e diz muito sobre a inversão de papéis que temos que perceber não somente entre pais e filhos". E ela ainda prosseguiu, com elogios para o roteiro: "A Ingrid fez um roteiro incrível, principalmente por ser mãe. Ela usou toda a sua verdade. Foi uma aula que fez com que eu nunca mais deixe de querer participar das adaptações". E os elogios para a Ingrid não pararam por aí: "Ela tem essa coisa do humor no silêncio, nas entrelinhas... Não teria escolha melhor para o papel da Ângela".

"Para mim, uma das principais críticas é sobre uma mãe (ou um pai, tanto faz) saber ouvir sem escândalos, saber ser amiga quando o papo é sério", comentou Ingrid sobre os exageros da personagem Ângela, que não aceita muito bem certas fases de Malu, fazendo com que a menina prefira se abrir com o pai. Mais do que isso, a trama ainda solicita que as crianças, bem como os adultos, sejam levados a sério quando estão falando sério; afinal, a razão e a intensidade nem sempre estão na maior quantidade de experiência e a maturidade nem sempre está na idade, como bem balanceia o roteiro da obra. É tudo questão de profundidade e de saber ter um olhar metafórico, aquele que não enxerga apenas o literal dos fatos. É mais peito com mente do que anos de vida. A maturidade depende mais de quem viveu a experiência do que a experiência de quem viveu.

"Eu me identifiquei com a história desde que li o livro. Nasce um filho, nasce uma neurose. Coloquei no roteiro algumas histórias que vivi com minha filha. Como é o caso da cena do parquinho", revela Guimarães, ao citar uma sequência em que ela julga o caráter de uma criança que caçoava de Malu. "Não podemos agir com infantilidade nesses momentos, precisamos pensar que todos eles estão em uma fase de construção. Mas às vezes não tem como, ser mãe é também ser criança".

Sobre a atriz Larissa Manoela, Ingrid exalou animações: "Eu indiquei a Larissa para o filme. Minha filha é fã dela", declarou Ingrid. A atriz ainda revela que a ideia inicial era substituir Larissa por outra atriz, na fase mais adulta de Malu. "Queríamos uma outra menina para interpretá-la após os 16 anos, mas ficamos muito apegadas, não dava para mudar". E, como afirmou Larissa: "Foi ótimo, porque mostrou que eu posso!". Se, além das entrelinhas críticas, a naturalidade de Ingrid é um dos maiores pontos positivos da trama, a interpretação de Manoela, que ganha maior destaque e espontaneidade na fase adulta, não deixa que os holofotes fiquem distantes.

NEGATIVIDADES: POUCA OUSADIA LITERAL

Em suma, Fala Sério, Mãe! é um longa para todas as idades, para abraçar os pais, para grudar nos irmãos e para tecer sensos críticos fundamentais no mundo atual – quando a atenção é dada para as entrelinhas. O desfecho, porém, poderia ser mais emocionante e maduro, para acompanhar as crescentes do filme. A quebra acaba fazendo jus às más famas nacionais ao ir para momentos finais clichês e mais rasos, além de, possivelmente, dar a impressão de um certo exagero pelas tantas cantorias da atriz Larissa Manoela.

A trama não tem pegada cult ou poética, não ousa em filmagem ou roteiro de formas nítidas, não foge de linhas principais da cultura pop e não abandona, ainda, certos vícios de produções brasileiras mais conhecidas, como é o caso da câmera mais parada. De qualquer forma, os pontos positivos e diferenciados, como os detalhes implícitos criteriosos e a atuação natural de Ingrid Guimarães, se sobressaem para quem souber e quiser enxergar. Como disse a própria Ingrid: "Tomara que seja o começo de um novo estilo para os nossos cinemas". Amém.

E então, já foi conferir o filme? Refletiu algo além após navegar (aqui) nas entrelinhas comigo? O que achou das indicações de Thalita, Ingrid e Marcelo no vídeo do início? Vamos papear!
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VÍDEO: FOMOS CONVIDADOS PARA ASSISTIRMOS AO FILME O REI DO SHOW


O Sem Quases, que é feito de mim e de você [por isso o "fomos" ali no título], foi convidado para assistir ao filme internacional O Rei do Show, que ainda terá lançamento nos cinemas: marcado para a próxima segunda-feira (25). Confira, abaixo, no vídeo, as análises basilares sobre a trama. Para ver o trailer completo da obra, clique aqui.


ACRÉSCIMOS CRÍTICOS

Para além do vídeo, deixo aqui uma crítica a mais: Fui pesquisar sobre os feitos do protagonista verídico que inspirou a trama, que é baseada em suas conquistas, falhas e vida em geral; ao aprofundar, foi perceptível que o longa pode ser visto como esburacado quando analisado como uma cinebiografia. Barnum passou por diversas outras lições, quedas e alcances que poderiam enriquecer o roteiro do filme, porém, a trama é inspirada na história do legado do protagonista e, claramente, não tem um enfoque principal em permear todos os principais quesitos da sua caminhada, mas sim, usar os destaques para um núcleo de críticas mais amplas e, quiçá, mais profundas.

Entretanto, para quem deseja conhecer de forma reentrante a estrada real, é aconselhável que mergulhe, após, em livros e pesquisas, porque, de fato, existe muito mais com pesos e importâncias: inclusive quando a vinculação é feita com os lados desonestos e absurdos de P.T., já que ele disseminou preconceitos de formas ainda mais densas do que as que podem ser verificado na trama. Essa angulação, porém, não foi ignorada nas telas e fica clarificada nas entrelinhas e metáforas, dando acréscimos às mensagens basilares que o filme emite e que vêm, também, de tal desconstrução dos atos de Barnum.

O detalhe destrinchado como um adendo nos parágrafos acima, contudo, não faz com que os fatos utilizados na obra cinematográfica percam valor ou que os pontos positivos do filme sejam diminuídos de alguma forma, como ratificado. As curiosidades verazes e as implicitudes que podem ter sido criadas para as finalidades da trama, não ludibriam ou divagam para fora do necessário e trazem, no caminhar das carruagens, o que poderia ser considerado como mais fundamental na história do empreendedor [que nasceu pobre e sofreu diversos preconceitos  os quais o levaram a uma sede de aceitação descontrolada, o que gerou a perda de muitas conquistas e bases prioritárias, como indicado no vídeo]. É curioso poder perceber através do filme, quando tratamos de fatores mais literais, por exemplo, como foi o surgimento dos circos móveis; o que, novamente, fica como metáfora para diversas lições, como o lembrete do simples no complexo e do complexo no simples.

Deixo aqui, ainda, a observação de uma outra cena [fora as citadas no vídeo: as quais têm spoilers sinalizados]. Em um determinado momento, a gama social de classe alta está indo para uma peça que não é, de fato, o que os entrete ou faz refletir em grande escala. Logo, não é prazeroso para a maioria estar ali, porém, eles vão apenas pelo status. Este é mais um detalhe crítico bacana de ser observado e que pode ser encaixável em variados quesitos reflexivos sobre o universo tecnológico da nossa atualidade, como em relação a redes sociais e, até, ao sentido da diferença entre uma celebridade e um artista de fato [como é bem pontuado neste vídeo].

Fica, portanto, o lembrete de que cada linha aqui escrita serve apenas de suporte e soma para a crítica que está no vídeo, o qual demonstra, em totalidade, as impressões e exame primordial do longa apresentado.

E então, já tinha ouvido falar da obra? O que sentiu ao refletir comigo sobre os pontos apresentados? Depois de ir ao cinema, conta o que achou? Vamos papear.
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